A ação da Gemini (NASDAQ: GEMI) disparou mais de 20% após os irmãos Cameron e Tyler Winklevoss anunciarem um investimento estratégico de US$ 100 milhões em Bitcoin na própria empresa.
O anúncio, feito na noite de quinta-feira, 14 de maio de 2026, veio acompanhado do relatório de resultados do primeiro trimestre, que revelou um crescimento de 42% na receita anual em comparação com o mesmo período de 2025. A empresa registrou receita total de US$ 50,3 milhões no trimestre encerrado em 31 de março de 2026, impulsionada pelo aumento de 122% nos serviços e receitas de juros, que atingiram US$ 24,5 milhões, e um salto de 300% na receita de cartão de crédito, chegando a US$ 14,7 milhões.
O prejuízo líquido da empresa diminuiu para US$ 109 milhões, uma melhora em relação aos US$ 141 milhões registrados no primeiro trimestre de 2025. Antes da divulgação dos resultados, as ações da Gemini fechavam a US$ 5,26. Após o anúncio, o valor subiu para US$ 6,33 no after-hours, representando um ganho superior a 20%. Na manhã seguinte, a alta chegou a superar 30%, mas se estabilizou no momento da publicação.
O destaque, no entanto, foi o investimento feito em Bitcoin. O Winklevoss Capital Fund adquiriu 7,1 milhões de ações a US$ 14 por ação — quase o triplo do preço de mercado recente, que estava em torno de US$ 4,92. Tyler Winklevoss, CEO da empresa, declarou em comunicado:
“Acreditamos que o mercado tem subestimado significativamente o valor da Gemini, e esse investimento nos permitirá preparar a empresa para a próxima fase de crescimento.”
O preço de entrada de US$ 14, pago em Bitcoin, reforça a confiança dos gêmeos tanto na empresa quanto no ativo digital, que ainda tem potencial de valorização. O Bitcoin, por sua vez, tem apresentado estabilidade nos últimos dias, com cotação de fechamento em US$ 81.051 em 14 de maio, após oscilar próximo a US$ 80 mil nas sessões anteriores.
Essa estabilidade contrasta com o início do ano, quando o BTC caiu mais de 40% de seu pico de US$ 126 mil em outubro de 2025 para mínimas próximas a US$ 60 mil em fevereiro, um movimento que abalou os negócios da exchange e reduziu o volume de negociações para US$ 6,3 bilhões no primeiro trimestre, ante US$ 13,5 bilhões no mesmo período de 2025.
Gemini enfrenta turbulências recentes
Os próprios Winklevoss foram afetados por essa queda. Em março, a empresa de análise blockchain Arkham identificou uma transferência de US$ 130 milhões em Bitcoin para a plataforma da Gemini, amplamente interpretada como uma venda. Posteriormente, os irmãos retiraram US$ 42,77 milhões em BTC da exchange em abril, sinalizando uma reconstrução de posição à medida que os preços se estabilizavam.
Os resultados financeiros vêm após meses de instabilidade para a exchange. Em fevereiro, a empresa demitiu 25% de sua força de trabalho global, saiu dos mercados do Reino Unido, União Europeia e Austrália, e perdeu seus executivos de operações, finanças e jurídico em uma mesma semana. Esses eventos desencadearam ações judiciais coletivas de acionistas, que alegam que a empresa teria enganado investidores durante sua Oferta Pública Inicial (IPO) em setembro de 2025, quando as ações foram precificadas em US$ 28 e chegaram a US$ 45,89. Em determinado momento, o valor das ações caiu para menos de US$ 5, uma queda de mais de 89% em relação ao pico.