Quem já teve catapora na infância lembra bem do desconforto causado pela coceira intensa da doença. Na época, muitos recorriam a luvas de forno ou de neve para evitar se coçar e agravar as lesões, enquanto banhos de aveia ofereciam alívio temporário. No entanto, o sofrimento só terminava quando o ciclo da erupção se completava: das primeiras pápulas vermelhas e coceirentas, que se transformavam em bolhas cheias de líquido, até a formação de crostas que, ao cair, deixavam marcas.

Para uma adolescente de 15 anos, no entanto, a dor e a coceira não cessaram após a cicatrização das feridas. Em vez disso, as crostas começaram a se transformar em nódulos grandes, duros e dolorosos, que cresceram de forma descontrolada e permanente. O maior deles, localizado no peito, media 4 por 4 centímetros.

Esses crescimentos são chamados de queloides, um tipo de cicatriz hipertrófica que se forma quando o processo de cicatrização da pele sai do controle e ultrapassa os limites da lesão original. No caso da jovem, cinco queloides surgiram abruptamente em diferentes partes do corpo — mandíbula direita, peito, abdômen e flanco direito — em um fenômeno conhecido como queloides eruptivos, uma complicação extremamente rara da catapora.

Até então, apenas cinco casos semelhantes haviam sido documentados na literatura médica. O relato da adolescente, agora o sexto caso registrado, foi publicado recentemente na revista Clinical Case Reports.

O que são queloides eruptivos?

Os queloides eruptivos são uma resposta anormal do corpo ao processo de cicatrização. Diferentemente das cicatrizes comuns, que tendem a se achatar com o tempo, os queloides continuam a crescer, formando massas firmes e brilhantes que podem causar coceira, dor e até limitar a movimentação, dependendo da localização.

Embora a causa exata desse fenômeno ainda não seja totalmente compreendida, especialistas acreditam que fatores genéticos e uma resposta inflamatória exacerbada estejam envolvidos. A condição é mais comum em pessoas com pele mais escura e pode ser desencadeada por ferimentos, cirurgias ou, como no caso da adolescente, infecções como a catapora.

Tratamento e perspectivas

O tratamento dos queloides pode ser desafiador e geralmente envolve uma combinação de abordagens, como injeções de corticoides, terapia a laser, crioterapia ou até cirurgia. No entanto, mesmo com tratamento, há risco de recorrência. A adolescente nepalesa, por exemplo, precisou de múltiplas intervenções para controlar o crescimento dos nódulos.

Para especialistas, casos como esse reforçam a importância de monitorar complicações incomuns após doenças comuns, como a catapora. Embora rara, a condição pode ter um impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes, exigindo atenção médica especializada.