O Bitcoin atingiu a marca de US$ 80 mil e, pela primeira vez em meses, rompeu a correlação com o mercado acionário dos EUA. Enquanto o S&P 500 recuou em 4 de maio, a criptomoeda manteve-se estável, sinalizando uma possível mudança de regime macroeconômico ou uma reação a diferentes fatores de risco.

Nos últimos meses, o Bitcoin havia acompanhado o comportamento do S&P 500, tanto em direção quanto em volatilidade. No entanto, a recente alta da moeda digital, mesmo com o declínio das ações, sugere um desacoplamento entre os ativos. Especialistas analisam se esse movimento reflete um novo ciclo de risco ou uma resposta a fatores específicos, como a demanda por ETFs e tensões geopolíticas.

Contexto macroeconômico e geopolítico

No dia 4 de maio, o S&P 500 caiu 0,4%, o Dow Jones perdeu 1,1% e o Nasdaq recuou 0,2%. Enquanto isso, o preço do petróleo Brent subiu 5,8%, atingindo US$ 114,44, impulsionado por novos conflitos no Oriente Médio e pela ameaça à reabertura do Estreito de Ormuz. Essa divergência entre ações e commodities criou um cenário incomum para o Bitcoin, que se manteve próximo a US$ 80 mil, mesmo com a pressão sobre os mercados tradicionais.

No dia seguinte, o cenário se inverteu: o petróleo recuou, os futuros dos EUA subiram e a correlação entre Bitcoin e ações pareceu se reverter. Essa flutuação reforça a hipótese de que o Bitcoin pode estar respondendo a diferentes mercados líderes em momentos distintos do dia, em vez de simplesmente romper uma correlação.

Bitcoin em alta: sinais de um novo ciclo?

Atualmente, o Bitcoin é negociado a US$ 80.743, com alta de mais de 2% nas últimas 24 horas e mais de 20% nos últimos 30 dias. O mercado cripto como um todo vale cerca de US$ 2,67 trilhões, com dominância do Bitcoin próxima a 60,6%. Esses números indicam que o movimento do Bitcoin não é isolado, mas sim um sinal de mercado mais amplo.

Quando o Bitcoin deixa de acompanhar o S&P 500 durante choques de petróleo e taxas de juros, a pergunta que surge é: há novos compradores no mercado? Ou será que as correlações antigas estão enfraquecendo? Outra possibilidade é que o mercado esteja processando diferentes sessões de negociação em sequência.

Fatores por trás do movimento

Uma das explicações para a alta do Bitcoin é o comércio de risco liderado pela Ásia, impulsionado por ações de chips e força em mercados regionais antes da abertura dos EUA. Além disso, a demanda por ETFs de Bitcoin pode estar desempenhando um papel importante, assim como as tensões geopolíticas que redirecionam o foco para os mercados de títulos.

Especialistas destacam que o Bitcoin está cada vez mais se comportando como um ativo independente, respondendo a fatores próprios, como adoção institucional e regulamentação, em vez de apenas seguir os movimentos do mercado acionário.