O Bitcoin recuperou a marca de US$ 80 mil no dia 4 de maio, mas o movimento ocorreu em um contexto de forte alta nas bolsas asiáticas, impulsionadas pelo otimismo com a inteligência artificial (IA). A Coreia do Sul e Taiwan lideraram o avanço, enquanto os futuros do Nasdaq 100 também indicavam alta. Especialistas apontam que o timing do movimento cria um desafio para investidores comuns, uma vez que o Bitcoin agora reage de forma diferente em relação a outros ativos de risco, como ações de chips, índices de tecnologia, fluxos de ETFs e estratégias de ações.
Bitcoin e ações asiáticas: uma correlação cada vez mais forte
Na abertura da semana, analistas consideraram a zona de US$ 80 mil como um teste entre alívio e recuperação. A MEXC destacou níveis-chave próximos, como a média móvel de 200 dias (próximo a US$ 82 mil) e referências de custo-base de ETFs (cerca de US$ 83 mil). No entanto, o sinal mais forte veio de fora do mercado cripto: as ações não apenas subiram junto com o Bitcoin, mas lideraram o movimento.
Os principais ganhadores foram as mesmas empresas e setores que se tornaram sinônimo de apetite por risco em IA. Enquanto o Bitcoin avançava, os índices asiáticos de tecnologia e chips registravam recordes. O Kospi fechou acima de 6.900 pontos, um marco histórico, enquanto empresas como SK Hynix (+13%), Samsung (+5,4%) e TSMC (+6,6%) lideravam os ganhos. O Taiex, da Taiwan, avançou 4,6%.
O contexto por trás do movimento
Esse rally asiático já estava em andamento antes mesmo de o Bitcoin cruzar a marca de US$ 80 mil. Na semana anterior, o entusiasmo com chips e IA havia levado Coreia do Sul e Taiwan a máximas históricas, enquanto riscos geopolíticos e de energia pesavam em outras regiões. O movimento do dia 4 de maio apenas reforçou essa divisão.
Nos Estados Unidos, o handoff também reforçou a interpretação de risco. O Nasdaq Composite subiu 0,9% para fechar em recorde no dia 1º de maio, enquanto o S&P 500 também atingiu novas máximas. As ações asiáticas de tecnologia, então, reagiram após esses ganhos nos EUA.
A sequência foi clara: força tecnológica nos EUA, alta nos chips asiáticos e, por fim, nova demanda por ativos de risco líquidos — incluindo o Bitcoin.
Lucros e demanda por IA explicam o movimento
Os resultados trimestrais ajudam a explicar por que esse foi um movimento impulsionado por IA, e não apenas uma recuperação genérica de ações. A TSMC reportou receita de NT$ 1,134 trilhão no primeiro trimestre, com lucro líquido 58,3% maior em relação ao ano anterior. A SK Hynix citou desempenho recorde impulsionado pela demanda por IA, enquanto a Samsung destacou que as vendas de memória foram sustentadas pela alta demanda por soluções de IA e espera que o crescimento continue com a expansão da infraestrutura de IA.
O ponto central é a correlação por meio do apetite por risco em carteiras, e não uma identidade de ações. O mercado está cada vez mais tratando o Bitcoin como um ativo de risco alinhado a ações de IA, como a Nvidia, que recentemente reportou receita de US$ 68,1 bilhões, com US$ 62,3 bilhões provenientes do segmento de Data Center.
Bitcoin agora se comporta como uma ação de IA
Analistas destacam que o Bitcoin passou a ser negociado como um amplificador de apetite por risco, semelhante a ações de empresas de tecnologia e chips. Essa mudança reflete uma nova dinâmica no mercado, onde a correlação entre ativos digitais e ações de IA se tornou mais evidente.
Para investidores, isso significa que o comportamento do Bitcoin não depende apenas de fatores internos ao mercado cripto, mas também de tendências externas, como o desempenho de ações de tecnologia e a demanda por IA. Essa interdependência cria um cenário mais complexo para a tomada de decisão, exigindo uma análise mais ampla do mercado.