A Tesla finalmente iniciou a produção em massa do Semi, seu caminhão elétrico de longo alcance, após anos de adiamentos. Prometido desde 2017, o veículo superou as expectativas de desempenho em relação aos concorrentes de fabricantes como Daimler, Volvo e Peterbilt.

Em 29 de abril, a empresa anunciou o início da fabricação em larga escala na unidade de Sparks, em Nevada. Com autonomia superior e tempo de recarga reduzido pela metade em comparação aos modelos tradicionais, o Semi chega em um momento crucial para a Califórnia, principal mercado de caminhões elétricos nos EUA.

Impacto ambiental e demanda recorde

Segundo dados do International Council on Clean Transportation (ICCT), caminhões pesados são responsáveis por mais da metade da poluição do setor de transportes. A Califórnia, que enfrenta desafios severos de qualidade do ar, registrou um recorde na procura pelo Semi: das 1.067 solicitações de incentivos para caminhões zero-emissão no último ciclo (dezembro de 2025), 965 foram para o modelo da Tesla. Esse número supera o total de pedidos para todos os tipos de caminhões pesados elétricos desde 2021.

Se todas as entregas forem concluídas até o final de 2026, o Semi poderá representar cerca de um terço das vendas de caminhões pesados no estado, ultrapassando a meta de 10% estabelecida pela regulamentação Advanced Clean Trucks.

Desafios políticos e oportunidades

O avanço ocorre em meio a pressões políticas. No ano passado, o Congresso dos EUA, controlado por republicanos, aprovou legislação para revogar o direito da Califórnia de estabelecer padrões próprios de emissões para veículos. Além disso, a administração Trump busca enfraquecer normas nacionais de eficiência energética e reduzir fundos federais para caminhões elétricos e carregadores.

Para Ray Minjares, diretor do programa de veículos pesados do ICCT, o sucesso do Semi demonstra que estados com metas climáticas ambiciosas precisam buscar alternativas para viabilizar a transição energética. "A pressão para reduzir os preços dos veículos é fundamental", afirmou. O Semi, com custo operacional inferior ao dos diesel, surge como uma solução viável para frotas comerciais.