Nova York — O número de mortes por overdose nos Estados Unidos caiu para cerca de 70 mil em 2025, segundo dados preliminares do governo federal. A redução de 14% em relação ao ano anterior marca o terceiro ano consecutivo de queda, o maior período de declínio em décadas, conforme revelado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) nesta quarta-feira (15).
O total de 2025 equivale ao registrado em 2019, antes da pandemia de Covid-19, que agravou a crise de opioides no país. A tendência de queda é comemorada por autoridades de saúde, mas especialistas alertam para possíveis riscos associados a mudanças recentes na política de drogas e no fornecimento de substâncias ilícitas.
Fatores que contribuíram para a redução
Entre os principais motivos para a diminuição das mortes por overdose estão:
- A expansão do acesso a tratamentos com naloxona, um medicamento que reverte overdoses de opioides;
- Maior distribuição de seringas esterilizadas para reduzir infecções e incentivar a busca por ajuda;
- Políticas estaduais que ampliaram programas de redução de danos, como salas de consumo supervisionado;
- Melhoria nos sistemas de notificação e monitoramento de overdoses.
Preocupações com mudanças recentes
Apesar dos avanços, alguns especialistas temem que recentes alterações na política de drogas e na cadeia de suprimentos possam reverter a tendência. Em 2024, o governo federal reduziu a importação de fentanil produzido legalmente para uso médico, o que, segundo críticos, pode aumentar a circulação de versões ilícitas mais potentes e perigosas.
"A queda nas mortes é um sinal positivo, mas não podemos baixar a guarda. Mudanças abruptas no fornecimento de drogas podem levar a um aumento repentino de overdoses com substâncias mais letais", afirmou Dr. Sarah Johnson, pesquisadora da Universidade de Harvard e especialista em políticas de saúde pública.
Cenário por região
Os dados do CDC mostram que a redução não foi uniforme em todo o país. Enquanto estados como Califórnia e Massachusetts registraram quedas significativas, outros, como Ohio e Flórida, ainda enfrentam altas taxas de mortalidade. A disparidade reforça a necessidade de políticas locais adaptadas às realidades regionais.
Autoridades de saúde pedem cautela e investimento contínuo em prevenção, tratamento e redução de danos para consolidar a tendência de queda e evitar retrocessos.