Nos Estados Unidos, o álcool é responsável por mais mortes do que qualquer outra droga, mas raramente é tratado como uma emergência de saúde pública. Enquanto substâncias como fentanil e metanfetamina dominam discussões sobre crises de uso de drogas, o álcool permanece em segundo plano, mesmo sendo legal e amplamente consumido.

Para investigar essa contradição, os repórteres Isabella Cueto e Lev Facher, da STAT, passaram meses analisando dados e relatos. O resultado é a série especial "A Droga Mais Mortal", lançada recentemente, que busca explicar por que uma substância tão perigosa recebe tratamento ambivalente.

Segundo especialistas, a normalização do álcool na sociedade contribui para essa percepção distorcida. Enquanto drogas ilícitas são associadas a estigmas e campanhas de conscientização, o álcool é amplamente comercializado e integrado ao cotidiano, desde propagandas até eventos sociais.

Por que o álcool não é visto como uma ameaça?

Estudos mostram que o consumo excessivo de álcool está ligado a doenças crônicas, acidentes de trânsito e violência doméstica. No entanto, a falta de regulamentação rigorosa e a cultura de aceitação dificultam ações mais efetivas. Enquanto drogas como a cocaína ou a heroína enfrentam restrições legais, o álcool permanece acessível, mesmo para menores de idade em muitos estados.

A série da STAT destaca casos de famílias afetadas pelo alcoolismo e especialistas que defendem políticas mais rígidas, como aumento de impostos e restrições à publicidade. A pergunta central é: se o álcool mata mais, por que não é tratado com a mesma urgência?