Duas mulheres nos Estados Unidos moveram uma ação judicial contra dois homens acusados de terem usado fotos de seus perfis no Instagram para criar influenciadoras virtuais de conteúdo pornográfico gerado por inteligência artificial (IA). As vítimas, identificadas apenas como MG e S.S., descobriram que suas imagens foram manipuladas e inseridas em vídeos e fotos de personagens fictícios, sem qualquer autorização.

MG, uma assistente pessoal de 20 e poucos anos que mora em Scottsdale, no Arizona, trabalhava também como garçonete nos fins de semana. Seu perfil no Instagram, com cerca de 9 mil seguidores, era usado para compartilhar momentos cotidianos com amigos e familiares, como passeios, refeições e atividades físicas. Ela nunca buscou fama ou popularidade na plataforma.

Tudo mudou no verão passado, quando um seguidor enviou uma mensagem direta perguntando se ela sabia que fotos e vídeos de uma mulher com sua aparência estavam circulando no Instagram. Ao clicar no link, MG se deparou com diversos Reels que mostravam seu rosto sobreposto ao corpo de uma personagem com traços semelhantes aos seus, inclusive tatuagens. As imagens eram explícitas e não tinham relação alguma com sua vida real.

“Nunca imaginei que minhas fotos fossem usadas dessa forma. Foi uma invasão de privacidade chocante”, declarou MG à imprensa. Segundo a denúncia, as imagens manipuladas foram criadas com ferramentas de IA e compartilhadas em perfis de influenciadoras virtuais, que ganharam milhares de seguidores.

A segunda vítima, S.S., também processou os mesmos homens após descobrir que suas fotos haviam sido usadas para criar conteúdos semelhantes. Ambas alegam que os acusados violaram seus direitos de imagem e privacidade, além de terem sofrido danos emocionais e reputacionais.

Impacto da IA na privacidade e segurança digital

O caso destaca os riscos crescentes do uso indevido de tecnologias de IA para criar conteúdos falsos e potencialmente prejudiciais. Especialistas em direito digital e privacidade alertam que, embora a IA ofereça avanços tecnológicos, também abre brechas para abusos, especialmente quando imagens pessoais são usadas sem consentimento.

“A legislação ainda está atrasada em relação ao ritmo das inovações tecnológicas. Casos como esse mostram a urgência de regulamentações mais rígidas para proteger os cidadãos”, afirmou um advogado especializado em direito digital.

O que dizem os acusados?

Até o momento, os dois homens não se manifestaram publicamente sobre as acusações. A ação judicial busca indenização por danos morais e materiais, além da remoção imediata de todos os conteúdos que usam as imagens das vítimas.

O processo reforça a importância de as pessoas estarem atentas à privacidade de suas imagens online e de plataformas como o Instagram reforçarem medidas de segurança contra o uso indevido de dados pessoais.