A Suprema Corte dos Estados Unidos ouvirá, nesta quarta-feira (24), argumentos orais sobre um tema técnico, mas de grande relevância para o mercado farmacêutico: a rotulagem seletiva (skinny labeling), prática usada por fabricantes de genéricos para contornar patentes de medicamentos de marca.

Esse mecanismo permite que empresas de genéricos obtenham aprovação regulatória para comercializar um fármaco apenas para usos específicos, excluindo aqueles protegidos por patentes de medicamentos de referência. Por exemplo, um genérico poderia ser aprovado para tratar um tipo de arritmia cardíaca, mas não outro, evitando assim processos por infração patentária.

A estratégia, conhecida como carve-out, é permitida desde a promulgação do Ato Hatch-Waxman, há mais de 40 anos. Essa lei facilitou a entrada de genéricos no mercado ao criar mecanismos para acelerar sua aprovação, beneficiando diretamente os consumidores com preços mais baixos.

O caso em questão poderá redefinir os limites dessa prática, que tem sido fundamental para a competição no setor farmacêutico. A decisão da Suprema Corte poderá ter impacto não apenas nos EUA, mas também em outros países que seguem modelos regulatórios semelhantes.