O apresentador Bill Maher e o senador norte-americano John Fetterman, do estado da Pensilvânia, teceram duras críticas à forma como Donald Trump se dirige a jornalistas que o questionam, classificando suas declarações como 'horrorosas, mas surpreendentemente autênticas'.

A conversa ocorreu durante a participação de Fetterman no podcast Club Random, apresentado por Maher, na segunda-feira (15). Os dois analisaram os comentários diretos e muitas vezes agressivos do ex-presidente, que Maher descreveu como um líder que 'vomita seu monólogo interior'.

'As coisas que ele diz em voz alta, a forma como ele simplesmente externaliza seu monólogo interior', afirmou Maher. 'Não há nada de psicologicamente normal em alguém que faz isso, mas isso lhe confere uma autenticidade com as pessoas que ninguém mais consegue igualar'.

O apresentador da HBO citou ainda a polêmica entrevista de Trump à âncora da CBS News, Norah O’Donnell, no programa 60 Minutes, após a tentativa de assassinato do presidente durante o jantar dos Correspondentes da Casa Branca. Durante o bate-papo, O’Donnell mencionou declarações do suposto atirador, que teria chamado Trump de 'pedófilo' e 'Hitler'.

Maher afirmou entender a reação irritada do ex-presidente: 'Isso o deixou muito irritado. Consigo ver os dois lados. Como repórter, é notícia. Mas também é dar acesso ao presidente a um terrorista'.

Segundo o apresentador, a resposta de Trump após a entrevista — quando ele chamou O’Donnell de 'terrível' — exemplificou a franqueza que fascina e assusta o país ao mesmo tempo. 'Ele não apenas pensa como um político comum. Isso é exatamente o que eles pensam. Só que ele fala', disse Maher. 'É ao mesmo tempo horrível e, de certa forma, refrescante. É chocantemente honesto'.

Ele prosseguiu: 'Como alguém que preza pela honestidade e fez carreira em torno disso, há um nível em que você tira o chapéu e diz: 'Nossa. Total honestidade. Acho você uma pessoa horrível, mas vou dizer isso mesmo''.

Foi então que Fetterman, concordando, entrou na risada e citou o famoso comentário de Trump — 'quieto, porquinho' — como o exemplo máximo da brutalidade do ex-presidente. 'Esse é o presidente dos Estados Unidos', disse o senador, mal conseguindo conter o riso. 'Quieto, porquinho!'

Maher ecoou o sentimento, acrescentando que já não fica mais irritado quando Trump o menciona em tuítes, pois 'no dia seguinte, já está esquecido'.

A agressão mais visualmente desrespeitosa de Trump contra jornalistas mulheres ocorreu em 14 de novembro de 2025, a bordo do Air Force One. Na ocasião, a repórter da Bloomberg News, Catherine Lucey, tentou pressioná-lo a explicar por que não havia liberado unilateralmente os arquivos de Epstein. Após dizer que não sabia 'nada sobre isso', em relação às alegações de Epstein de que Trump 'conhecia as garotas', o ex-presidente não aguentou quando as perguntas de Lucey chegaram aos seus ouvidos.

'Quieto. Quieto, porquinho!', disparou ele antes de mudar de assunto. A frase, que viralizou dias depois, chocou jornalistas em todo o país. O âncora da CNN, Jake Tapper, classificou o comportamento de Trump como 'nojento e completamente inaceitável', enquanto o ex-correspondente da ABC News, Terry Moran, escreveu no X (antigo Twitter): 'Quando eles vão baixo, ele vai mais baixo ainda'.

Fonte: The Wrap