O Bitcoin (BTC) recuou para abaixo de US$ 78 mil nesta segunda-feira (28), logo após a abertura dos mercados europeus. A criptomoeda atingiu US$ 77.819, registrando queda de 0,28% em 24 horas, segundo dados atualizados. O volume de negociações nas últimas 24 horas chegou a US$ 32,1 bilhões, enquanto a capitalização de mercado permaneceu próxima a US$ 1,56 trilhão.

As liquidações totais no mercado de criptomoedas superaram US$ 295 milhões no mesmo período, de acordo com a CoinGlass. O movimento ocorreu após o BTC ter testado a resistência psicológica de US$ 80 mil, mas não conseguiu sustentar o nível e recuou rapidamente.

O que provocou a queda?

Não houve um fator macroeconômico, regulatório ou relacionado a ETFs que justificasse a queda. Especialistas analisam se o movimento foi um ajuste de alavancagem — quando traders são forçados a fechar posições devido a margens insuficientes — ou o início de um movimento mais amplo de aversão ao risco.

A diferença entre os dois cenários é significativa:

  • Ajuste de alavancagem: Pode redefinir posições superalavancadas sem afetar a estrutura do mercado.
  • Aversão ao risco: Geralmente envolve quedas em outros ativos de risco, menor liquidez ou um novo catalisador que altere a percepção dos traders.

Por enquanto, os indícios apontam para um ajuste de mercado. A pressão de liquidações foi evidente, e o nível de preço mostrou-se frágil, mas ainda não há uma explicação única para o movimento.

Análise técnica: o que esperar agora?

O recuo ocorreu em uma zona que já havia chamado atenção. Em 23 de abril, o Bitcoin chegou a US$ 79.470, antes de recuar para cerca de US$ 78.200. Na ocasião, a queda esteve ligada a liquidações forçadas e um cenário macro e geopolítico mais construtivo.

Uma análise recente da CryptoSlate destacou que o nível entre US$ 77 mil e US$ 77,5 mil é crucial. Se os compradores absorverem a queda nessa faixa, o movimento pode ser apenas um evento de limpeza do mercado. Caso contrário, a quebra do suporte poderia sinalizar um afrouxamento mais amplo do apetite ao risco.

O padrão também ajuda a separar a ação do preço da explicação. Os traders não precisavam de um novo evento para entender por que ordens de stop, hedge ou saídas rápidas poderiam se concentrar em um nível redondo que havia acabado de rejeitar o momentum.

"Um mercado que desafiou US$ 80 mil pode reverter rapidamente quando a alavancagem é alta e o próximo comprador está esperando por um preço mais baixo."

Nesse contexto, a primeira reação na faixa de US$ 77 mil a US$ 77,5 mil é mais importante do que a busca por uma justificativa imediata. Um recuperação rápida indicaria que a demanda está absorvendo os fluxos forçados. Já um repique sem sustentação poderia sugerir que a queda está se espalhando para a convicção dos investidores e, possivelmente, para um movimento mais amplo de venda.