O rápido crescimento dos data centers — e o aumento de ataques contra eles — levou congressistas a debater, em audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (14), se o governo federal dos Estados Unidos possui a estrutura adequada para protegê-los.
Testemunhas do setor e especialistas na Subcomissão de Cibersegurança e Proteção de Infraestrutura da Câmara de Segurança Interna destacaram que uma possível solução seria classificar os data centers como uma categoria independente de infraestrutura crítica.
A discussão sobre como garantir a segurança cibernética e física desses ativos ganha urgência diante do boom impulsionado pela inteligência artificial, que tem acelerado a construção de novas instalações nos EUA. Recentemente, drones iranianos alvejaram dois data centers da Amazon em retaliação a ataques dos EUA e Israel ao Irã, além de um terceiro na Bahrein.
“Se um data center importante for atacado, interrompido ou derrubado, as consequências podem ir muito além de uma única empresa ou setor”, afirmou o deputado Andy Ogles (R-Tenn.) em seu discurso de abertura. “No entanto, nosso atual arcabouço não oferece uma abordagem clara e unificada para a segurança desses ativos. Não há clareza sobre qual agência federal é responsável por avaliar riscos, coordenar com o setor ou liderar respostas quando essa infraestrutura é alvo.”
Três empresas dominam 63% do mercado de data centers: Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud Platform.
Modelo britânico inspira debate nos EUA
O Reino Unido já classifica os data centers como uma categoria independente de infraestrutura crítica. Durante a audiência, os deputados Vince Fong (R-Calif.) e LaMonica McIver (D-N.J.) questionaram os especialistas sobre a necessidade de uma proteção federal mais robusta.
“Dada a necessidade de supervisão rigorosa para garantir a segurança desses data centers, haveria benefícios em reuni-los em um conselho coordenador específico”, declarou Robert Mayer, vice-presidente sênior de cibersegurança e inovação da USTelecom, entidade do setor.
Mark Montgomery, do Foundation for Defense of Democracies, sugeriu a criação de um setor que una data centers e provedores de nuvem, devido à sobreposição de propriedade. A reformulação de 2024 de um memorando de segurança nacional da Casa Branca deixou alguns especialistas frustrados por não incluir a computação em nuvem como infraestrutura crítica.
Samuel Visner, presidente do conselho do Space Information Sharing and Analysis Center, endossou a ideia, destacando o papel dos data centers na economia, defesa e outras dependências dos EUA. “Encontrar uma forma de tratá-los como parte de nossa infraestrutura crítica e protegê-los adequadamente é condição sine qua non, absolutamente necessária”, afirmou.
Um quarto especialista não se manifestou sobre a necessidade de uma designação separada, mas Scott Algeier, diretor executivo do Information Technology Information Sharing and Analysis Center, revelou que sua organização já criou um grupo de interesse especial para provedores de data centers.
“Os data centers já estão integrados às discussões sobre infraestrutura crítica”, declarou à comissão.