NIST estabelece prazo até 2035 para criptografia resistente a computadores quânticos

O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST) finalizou, em agosto de 2024, os três primeiros padrões de criptografia pós-quântica (PQC). A entidade determinou que organizações iniciem imediatamente a migração, com um prazo final até 2035 para substituir algoritmos de chaves públicas vulneráveis a ataques quânticos.

A Coinbase, por meio de seu conselho consultivo, reforçou a urgência em relatório recente. O documento destaca que blockchains, provedores de carteiras, exchanges e custodians devem se preparar antes que a pressão se intensifique. A falta de decisões públicas sobre a migração já estaria inibindo alguns investimentos no setor.

Google acelera migração interna até 2029

A Google já definiu um cronograma interno para migração até 2029. A empresa atualizou seu modelo de ameaças para priorizar serviços de autenticação, antecipando riscos quânticos em ativos reais e redes ativas.

Desafios da migração completa no ecossistema cripto

O relatório da Coinbase mapeia os desafios da migração em uma pilha tecnológica que inclui camadas de consenso, execução, carteiras, exchanges, custodians, sistemas de gestão de chaves e hardware. Entre os principais obstáculos estão:

  • Atualizações demoradas em carteiras baseadas em hardware e módulos de segurança;
  • Diferenças na compatibilidade de algoritmos para Multi-Party Computation (MPC);
  • Falta de definição sobre assinaturas pós-quânticas em blockchains importantes.

O NIST define agilidade criptográfica como a capacidade de substituir e adaptar algoritmos em protocolos, aplicações, hardware e infraestrutura sem interromper operações. Segundo essa definição, muitos provedores de infraestrutura cripto ainda não sabem se suas pilhas tecnológicas estão preparadas para uma transição algorítmica sem interrupções.

Bitcoin e Ethereum: cenários em aberto

O relatório da Coinbase aponta que os desenvolvedores do Bitcoin mantêm uma postura de "esperar para ver" em relação à migração completa. Essa abordagem gera incerteza no mercado. O documento estima que cerca de 13,6 milhões de endereços Bitcoin já têm chaves públicas expostas na blockchain, o que exigiria meses de trabalho coordenado para uma transição segura.

Já o Ethereum e suas redes de camada 2, como Optimism, Arbitrum e Base, avançam com planos concretos. A Optimism anunciou um "dia de transição" para janeiro de 2036, quando as chaves de assinatura ECDSA perderão controle sobre ativos de contas externas. O Algorand, por sua vez, executou a primeira transação pós-quântica em sua mainnet em 2025, utilizando assinaturas Falcon.

Setor busca soluções, mas desafios persistem

Empresas de hardware e nuvem também estão se movimentando. A migração para algoritmos pós-quânticos exige atualizações em toda a cadeia, desde protocolos até dispositivos físicos. A falta de padronização e a complexidade técnica ainda são barreiras significativas para uma adoção generalizada.

Para especialistas, a transição não é apenas uma questão técnica, mas também de governança e credibilidade. A capacidade de se adaptar rapidamente aos novos padrões pode se tornar um diferencial competitivo no mercado cripto.