Um dos momentos mais impactantes de Django Livre, dirigido por Quentin Tarantino, mostra o protagonista atravessando uma plantação para confrontar Big John Brittle, um dos temidos irmãos Brittle. Em um clássico shot-reverse-shot, Django saca sua pistola e atira no incrédulo vilão, matando-o com a icônica frase: “Gosto da sua morte, garoto”. Django sobrevive, mas sua trajetória vai muito além do cinema — ele só existia, até então, nas páginas dos quadrinhos.
Em 2013, a DC Comics lançou uma adaptação do filme, seguida por uma série em 2015 pela Dynamite Comics, onde Django se une a seu predecessor pulp, Zorro. Agora, essa história em quadrinhos pode inspirar um novo longa-metragem, com a possibilidade de Jamie Foxx e, surpreendentemente, Antonio Banderas reprisarem seus papéis de destaque.
Foxx interpretou Django apenas uma vez, no filme de 2012, após assumir o papel originalmente oferecido a Will Smith. Como em Bastardos Inglórios e Era uma Vez em... Hollywood, Django Livre reescreve a história usando tropos do cinema, mesclando faroeste spaghetti com a vingança do protagonista contra seus escravizadores. O filme é puro Tarantino: do bom (cinematografia poética aplicada a enredos de grindhouse), do ruim (o ator dirigindo como um australiano particularmente limitado) e do profundamente desconfortável (uso excessivo de palavrões racistas).
Mesmo com atuações memoráveis de Samuel L. Jackson, Leonardo DiCaprio e Christoph Waltz — que levou seu segundo Oscar de Melhor Ator Coadjuvante —, Foxx rouba a cena como o Django furioso, mas inegavelmente cool. Já Banderas vestiu o traje de Zorro duas vezes: primeiro em A Máscara do Zorro (1998), um clássico do gênero, e depois em sua sequência inferior, A Lenda do Zorro (2005), ambos dirigidos por Martin Campbell.
Os filmes de Zorro funcionam como uma história de legado: Anthony Hopkins interpreta Don Diego de la Vega, o Zorro original, enquanto Banderas vive Alejandro Murrieta, um fora-da-lei treinado para se tornar o novo herói mascarado. Após 20 anos preso, Don Diego escapa ao saber que sua filha Elena (Catherine Zeta-Jones) ainda está viva e treina Alejandro como seu sucessor. Como Zorro, Alejandro conquista Elena e derrota seus inimigos, entregando justiça antes de Don Diego morrer.
Embora A Lenda do Zorro não tenha agradado a todos, A Máscara do Zorro mantém um lugar especial no coração dos fãs, especialmente pela química entre Banderas e Zeta-Jones. Inspirados pelo recente retorno de Brendan Fraser e Rachel Weisz em A Múmia, muitos esperam que o par também volte às telas. E o que poderia ser melhor do que um novo filme unindo Django e Zorro?
Django/Zorro, roteirizado por Tarantino e Matt Wagner — autor da HQ da Dynamite — e ilustrado por Esteve Polls, se passa logo após os eventos de Django Livre. Na trama, o caçador de recompensas se une ao herói mexicano, que o contrata como guarda-costas para sua identidade secreta. Será que o cinema finalmente trará de volta esse duo improvável?