A dívida pública dos Estados Unidos atingiu US$ 31,27 trilhões no primeiro trimestre de 2026, superando o Produto Interno Bruto (PIB) nominal do país, segundo dados do Committee for a Responsible Federal Budget (CRFB). O valor representa 100,2% do PIB, com base em estimativa avançada do Bureau of Economic Analysis (BEA).

Esse marco histórico reforça o argumento de que o Bitcoin, como ativo de oferta fixa e não soberano, pode se tornar uma alternativa atraente para investidores diante da crescente desconfiança nas finanças públicas americanas. Enquanto a dívida dos EUA continua a crescer, a escassez do Bitcoin — com um limite máximo de 21 milhões de unidades — ganha relevância como reserva de valor em um cenário de incerteza fiscal.

O CRFB destacou que, fora a breve queda do PIB durante a pandemia de COVID-19, a dívida dos EUA só havia superado o PIB em dois anos, ao final da Segunda Guerra Mundial. Agora, o país enfrenta um nível de endividamento comparável a períodos de guerra, o que altera a percepção de credibilidade fiscal mesmo em um mercado global de títulos soberanos.

Para o Bitcoin, esse marco transforma um argumento abstrato de escassez em uma questão macroeconômica atual: será que um ativo de oferta fixa e não controlado por governos se tornará mais atraente quando a confiança nas finanças públicas enfraquece?

A relação entre dívida e PIB é calculada com base na dívida detida pelo público, que inclui títulos em posse de investidores externos e outras entidades não governamentais. Esse indicador difere da dívida pública total, que também considera os títulos mantidos por órgãos governamentais internos. A distinção é crucial porque a comparação com o Bitcoin só faz sentido se o indicador fiscal for claro e transparente.

O Treasury's Debt to the Penny separa os dois tipos de dívida, permitindo uma análise mais precisa. Segundo dados de 31 de março de 2026, a dívida detida pelo público era de US$ 31,27 trilhões, enquanto a dívida intragovernamental somava US$ 6,8 trilhões, totalizando US$ 38,07 trilhões em dívida pública total.

Ainda assim, o sinal fiscal é claro o suficiente para alimentar debates no mercado. No entanto, o denominador do cálculo — o PIB — ainda é provisório. A estimativa avançada do BEA mostrou um crescimento real do PIB de 2% ao ano e um aumento de 5,6% no PIB nominal, mas a próxima revisão está prevista para 28 de maio. Isso significa que a relação exata entre dívida e PIB pode mudar, embora o sinal de alerta fiscal permaneça.

O Bitcoin entra nessa discussão porque sua oferta limitada contrasta diretamente com a expansão fiscal dos governos. Segundo dados do CryptoSlate, havia cerca de 20,02 milhões de BTC em circulação em 1º de maio de 2026, com um limite máximo de 21 milhões. Essa escassez é o cerne do argumento monetário do Bitcoin, especialmente quando comparado a um sistema fiscal que pode emitir mais dívida a qualquer momento.

Grandes gestores de ativos, como a BlackRock, já endossam essa tese. Em um relatório sobre o Bitcoin como diversificador de portfólio, a empresa descreveu a criptomoeda como um ativo escasso, não soberano, descentralizado e global. O documento também destacou que a adoção de longo prazo do Bitcoin poderia ser impulsionada por preocupações com estabilidade monetária, geopolítica, sustentabilidade fiscal dos EUA e estabilidade política americana.

Nesse contexto, o marco de 100% da relação dívida/PIB reforça o caso de alocação em Bitcoin como uma forma de seguro monetário. No entanto, a decisão de investimento ainda depende de fatores como taxas de juros, condições de liquidez, demanda por ETFs e apetite ao risco, que continuam a influenciar o preço do ativo.