Um pai compartilhou uma situação inusitada nas redes sociais: durante o jantar de Páscoa, seu filho de dois anos se recusou a ficar sentado na cadeira. Depois de tentar de tudo — diálogo, ameaças e pedidos —, ele recorreu a uma estratégia extrema: inventou que o coelho da Páscoa puniria crianças desobedientes, colocando-as dentro de ovos de chocolate.

Para sua surpresa, a tática funcionou. O menino imediatamente se acomodou na cadeira e não saiu mais. Desde então, o pai já usou a mesma história duas vezes para conter comportamentos inadequados, obtendo resposta imediata e total obediência.

Mas afinal, essa abordagem é considerada boa parentalidade ou apenas um truque eficiente?

O que especialistas dizem sobre usar medos infantis como controle

Psicólogos infantis alertam que recorrer a figuras assustadoras, como o coelho da Páscoa transformando crianças em chocolate, pode ter consequências emocionais. Segundo a psicóloga Dra. Ana Silva, crianças pequenas ainda não distinguem completamente fantasia de realidade, o que pode gerar ansiedade desnecessária.

«Usar medos como estratégia de controle pode funcionar a curto prazo, mas a longo prazo pode prejudicar a confiança da criança nos pais. É importante estabelecer limites com base no diálogo e na compreensão, não no medo», afirmou a especialista.

Alternativas mais saudáveis para lidar com crianças na hora da refeição

Para especialistas, existem métodos mais eficazes e menos arriscados para incentivar bons hábitos alimentares e comportamento adequado. Confira algumas sugestões:

  • Rotina consistente: Estabelecer horários fixos para refeições ajuda a criança a entender que é hora de comer.
  • Participação ativa: Deixar a criança ajudar a preparar a refeição ou escolher entre opções saudáveis aumenta o interesse.
  • Recompensas positivas: Elogios e pequenas recompensas, como adesivos, podem ser mais eficazes do que punições.
  • Exemplos dos pais: Demonstrar hábitos alimentares saudáveis influencia diretamente o comportamento da criança.

Quando o 'truque' pode ser aceitável?

Alguns pais defendem que, em situações pontuais e extremas, recursos como esse podem ser usados como último recurso. No entanto, a maioria concorda que deve ser algo temporário e seguido de uma conversa explicando que a história era apenas uma brincadeira.

«Se for usado com moderação e esclarecido depois, pode até ser uma forma de chamar atenção para regras importantes. Mas nunca deve ser a principal estratégia», comentou o pediatra Dr. Carlos Oliveira.

No fim das contas, a eficácia de qualquer método depende do contexto familiar. O que funciona para uma criança pode não funcionar para outra, e o equilíbrio entre disciplina e afeto é sempre o melhor caminho.

Fonte: Defector