O boom de benefícios corporativos, que marcou a era pós-pandemia e a escassez de mão de obra, está chegando ao fim. O que antes incluía desde kombucha grátis até lavanderias no escritório, agora está sendo revisto. Políticas como licença parental remunerada, auxílio-creche e contribuições para planos de aposentadoria estão sendo reduzidas ou eliminadas por empresas americanas.
Por que isso importa?
Durante anos de escassez de trabalhadores, as empresas competiram para oferecer os benefícios mais atrativos. No entanto, com o aumento dos custos com saúde, a pressão por investimentos em inteligência artificial (IA) e a redução do poder de barganha dos funcionários, muitas estão revertendo essas políticas.
O que está acontecendo?
Grandes empresas como Deloitte e Zoom já anunciaram cortes em benefícios. A Deloitte reduziu licenças parentais, férias e auxílios como suporte à fertilidade, alegando necessidade de alinhamento com o mercado. Já a TTEC, uma empresa de tecnologia para experiência do cliente, suspendeu a contribuição para planos 401(k) nos EUA, justificando gastos com IA, automação e treinamentos.
Outras empresas, de diversos setores, também estão reduzindo benefícios para financiar inovações tecnológicas e lidar com o aumento dos custos com saúde.
Dados e impactos
Uma pesquisa da ResumeBuilder.com, com 500 líderes empresariais em março, revelou que:
- 53% cortaram benefícios;
- 61% reduziram bônus;
- 53% diminuíram reajustes salariais.
Segundo a Mercer, 38% dos CFOs afirmam ter reduzido outros benefícios devido ao aumento de 24% nos gastos com saúde nos últimos três anos. O custo com medicamentos sozinho subiu de 21% para 24% do total gasto com saúde pelas empresas.
Perspectivas dos especialistas
"A realidade está chegando. Há mais escrutínio sobre os benefícios oferecidos e a pergunta é: por que estamos acima do mercado? O que realmente estamos ganhando com esses programas?" — Rich Fuerstenberg, sócio sênior da Mercer Health Benefits Practice.
Shawn Gremminger, CEO da National Alliance of Healthcare Purchaser Coalitions, destacou que os altos custos com saúde estão "espremendo" outros benefícios que as empresas têm mais controle para gerenciar.
O futuro dos benefícios
Consultores de benefícios indicam que funcionários de escritório podem perder poder de negociação, já que a IA ameaça substituir parte da mão de obra. A indústria de tecnologia, que antes oferecia benefícios extravagantes como refeições gourmet e academias internas, já enfrenta cortes significativos e demissões.
Apesar disso, empresas ainda precisam atrair e reter talentos qualificados. No entanto, a equação está mais difícil de equilibrar, com menos recursos para investir em benefícios.
Conclusão
O cenário econômico atual, combinado com o avanço da IA e os altos custos com saúde, está forçando as empresas a repensar suas políticas de benefícios. Embora ainda haja esforços para manter vantagens competitivas, a tendência é de redução generalizada.