O setor de criptomoedas enfrenta uma crise sem precedentes após hackers norte-coreanos terem furtado US$ 579 milhões de aplicativos de blockchain em menos de 20 dias. O último ataque, que resultou em um prejuízo de US$ 293 milhões no aplicativo Kelp DAO, não apenas causou danos financeiros, mas também abalou a confiança e a moral de toda a indústria, avaliada em US$ 2,7 trilhões.

Os criminosos exploraram uma vulnerabilidade na LayerZero, plataforma popular para transferências entre blockchains, para realizar o ataque. Eles comprometeram um aplicativo construído sobre a LayerZero, enviando uma mensagem falsa que instruía o sistema a liberar os fundos para eles. Em seguida, retornaram dias depois para usar a mesma plataforma como parte de um esquema elaborado de lavagem de dinheiro.

Dados on-chain revelam que os hackers já movimentaram pelo menos US$ 500 mil pela LayerZero. Este caso é o primeiro documentado em que a mesma aplicação serviu tanto como vetor de ataque quanto como ferramenta para lavar os valores roubados.

Operações empresariais padronizadas

Os hackers financiados pelo Estado norte-coreano atormentam o mercado de criptomoedas há quase uma década. No entanto, nos últimos anos, seus ataques se tornaram mais organizados, sofisticados e destrutivos.

Em 2023, criminosos norte-coreanos roubaram US$ 1,5 bilhão da Bybit ao comprometer funcionários da Safe, provedora de carteiras da exchange. “Estamos vendo esses atores tratarem os exploits como operações empresariais padronizadas, caracterizadas pela reutilização de infraestrutura e exploração de corredores de liquidação com a eficiência de uma empresa global”, afirmou Matt Price, vice-presidente de investigações da Elliptic, empresa especializada em segurança de criptomoedas.

Em resposta, pesquisadores de segurança cibernética têm pressionado desenvolvedores a reforçar suas defesas. “A segurança não se resume mais apenas à integridade do código do protocolo. A segurança operacional é igualmente crítica”, declarou Yajin Zhou, cofundador da BlockSec, empresa de segurança em blockchain. “Se os processos operacionais forem frágeis, a segurança do código se torna irrelevante.”

Estratégias de lavagem de dinheiro

Os hackers não podem simplesmente enviar criptomoedas roubadas para uma exchange para resgatar o dinheiro, pois seriam facilmente identificados e confiscados. Por isso, eles criam esquemas complexos de lavagem, dividindo os valores em pequenas quantias e transferindo-os repetidamente entre carteiras e blockchains para distanciar a origem dos fundos.

A LayerZero foi usada nesse processo: os criminosos transferiram parte do dinheiro roubado da Arbitrum, uma blockchain de camada 2, para a Tron. Além de prevenir os ataques, especialistas em segurança também defendem que os desenvolvedores tornem mais difícil a lavagem de valores ilícitos.

Uma das medidas sugeridas é bloquear carteiras identificadas como pertencentes a grupos criminosos, impedindo que os fundos sejam movimentados livremente.

Fonte: DL News