Um juiz de Connecticut negou ao motociclista Brice Bennett, conhecido no YouTube como S1KRocket, a participação em um programa de reabilitação para infratores primários. A decisão foi tomada após a Justiça considerar que o volume e a gravidade das infrações — que incluem vídeos de Bennett pilotando a até 200 km/h em vias públicas — tornam o benefício inadequado.

Procuradores apresentaram 88 vídeos publicados pelo motociclista como provas de seu padrão de condução perigoso. Segundo o Ministério Público, as gravações mostram Bennett acelerando de 100 km/h a mais de 180 km/h, com alguns momentos chegando a 200 km/h. A investigação, parte do projeto "Reckless On Our Roads" da NBC Connecticut, foi conduzida pela polícia estadual, que rastreou Bennett por meio de dezenas de vídeos postados online.

Durante o julgamento, o promotor assistente Owen Kivela afirmou:

"Naquele vídeo, a moto estava sendo conduzida a velocidades entre 100 e 200 milhas por hora."

A defesa de Bennett argumentou que o motociclista mudou seu comportamento após a prisão. Desde então, ele teria concluído cursos de direção defensiva, feito terapia e se mudado para o Tennessee. Em depoimento ao tribunal, Bennett pediu desculpas, classificando suas ações como "incrivelmente estúpidas".

Apesar disso, seu canal no YouTube continua ativo, com vídeos que, segundo críticos, ainda glorificam a pilotagem perigosa em vias públicas, muitas vezes entre o tráfego comum. Em seus vídeos mais recentes, Bennett aparece com um velocímetro coberto por adesivos, dificultando a visualização da velocidade exata. No entanto, especialistas em investigação digital e forças de segurança utilizam métodos alternativos — como marcos rodoviários, marcações de faixa e cálculos de tempo — para estimar a velocidade em vídeos, o que pode servir como nova prova contra ele.

O juiz Paul Doyle, da Corte Superior de Connecticut, justificou a decisão:

"O tribunal considera que o programa de reabilitação não atende aos requisitos devido à quantidade e ao risco das infrações."

Bennett aguarda agora uma nova audiência para discutir um acordo judicial. A decisão reforça a crescente fiscalização sobre condutores que compartilham conteúdos de alto risco nas redes sociais, onde o material pode ser usado como prova em processos criminais.