A Procuradoria dos EUA no Sul da Flórida enfrenta uma crise sem precedentes. Segundo reportagem da Bloomberg, o escritório judicial realocou recursos de casos criminais para apoiar a agenda pessoal de Donald Trump, desencadeando uma onda de demissões e enfraquecendo a capacidade de combate a crimes financeiros e tráfico de drogas.
Fontes ouvidas pela publicação revelam que dezenas de promotores já deixaram o cargo desde o retorno de Trump à Presidência, seja por demissão, aposentadoria ou exoneração. Uma unidade especializada em crimes econômicos perdeu metade de sua equipe, segundo a Bloomberg.
Os números do Departamento de Justiça (DOJ) divergem dessa realidade. Até agosto de 2025, quando Jason Reding Quiñones assumiu como procurador federal, o DOJ registrava apenas 26 saídas. No entanto, dois meses após sua confirmação, Quiñones emitiu mais de duas dezenas de intimações a ex-funcionários envolvidos na investigação russa de 2016 — redefinida internamente por aliados de Trump como a "grande conspiração".
A teoria, sem fundamento, inverte a lógica das acusações contra Trump, sugerindo que as ações judiciais contra ele e seus aliados foram uma trama de democratas e agentes do "deep state" para destruí-lo politicamente.
Desde então, a Procuradoria do Sul da Flórida tornou-se o centro da retaliação política de Trump. Mas não é a única instituição afetada. Outros órgãos também realocaram recursos para atender às demandas presidenciais:
- Departamento de Segurança Interna: desviou esforços de outras missões para apoiar os planos de deportação de Trump;
- Departamento de Defesa: transferiu bilhões para financiar operações na fronteira;
- FBI: mais de 6 mil agentes foram realocados para lidar com questões migratórias, redefinindo o foco da agência.
O Departamento de Justiça também arquivou cerca de 23 mil casos criminais em seis meses, incluindo investigações sobre terrorismo, crimes financeiros e tráfico de drogas, enquanto abriu 32 mil novos processos de imigração. A mudança de prioridades indica que a promessa de "tornar a América segura novamente" não se alinha às ações da atual administração.
Autoridades federais, seguindo orientações presidenciais, já prenderam milhares de imigrantes sem histórico criminal, apesar das promessas de que a operação se concentraria nos "piores criminosos" — como assassinos, pedófilos, estupradores, membros de gangues e terroristas.