A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou recentemente dispositivos-chave da Lei dos Direitos de Voto após um processo judicial liderado por Phillip "Bert" Callais, um ativista que participou da invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
Segundo relatório da Democracy Docket, Callais, morador de Brusly, Louisiana, é o principal autor da ação judicial Louisiana v. Callais. No entanto, registros públicos e publicações nas redes sociais revelam um perfil muito diferente daquele apresentado na queixa original que chegou ao Supremo.
Na documentação inicial, Callais foi descrito como um "eleitor não afro-americano" cuja região eleitoral mudou após o redesenho distrital do estado. Além disso, alegou ser membro de uma junta local de supervisores em 2024. Contudo, suas próprias publicações nas redes sociais mostram um ativista partidário, imerso em teorias conspiratórias de extrema-direita sobre eleições nos EUA.
Em dezembro de 2025, Callais comentou em uma publicação de Elon Musk na plataforma X:
"Isso é loucura, não cidadãos votando no nosso país."Em fevereiro de 2024, questionou a segurança das eleições, e em janeiro do mesmo ano, afirmou que o sistema de votação estava "manipulado", defendendo a contagem manual de cédulas como solução.
Callais também minimizou os impactos negativos da eliminação do voto por correspondência para eleitores idosos ou com deficiência, publicando em fevereiro:
"Arrume alguém para te levar às urnas. Não deixe sua deficiência colocar o resto do país em risco."
Dias após a decisão do Supremo, o negacionista das eleições Seth Keshel, conhecido por suas alegações infundadas de fraude eleitoral, publicou uma foto nas redes sociais ao lado de Callais, com a legenda: "Grande vitória para a justiça eleitoral".
Especialistas apontam que a estratégia de usar um ativista com histórico de desinformação como Callais pode ter sido uma manobra para promover mudanças no sistema eleitoral americano, alinhadas a interesses políticos conservadores e a teorias conspiratórias desmentidas.
O caso levanta questionamentos sobre como processos judiciais podem ser instrumentalizados para reverter leis que protegem a integridade das eleições nos EUA.