Nos últimos anos, a política brasileira e internacional tem sido comparada a uma sátira ou até mesmo a um desenho animado. E, como em qualquer história, os vilões são essenciais. Nos dias de hoje, esses vilões não são apenas figuras fictícias: são os bilionários. Eles criaram milhões de empregos, baratearam produtos e revolucionaram o acesso à informação — mas, segundo alguns políticos, também cometeram "coisas terríveis".
O Met Gala e a demonização dos ricos
O Met Gala deste ano serviu como pano de fundo para críticas contundentes aos ultrarricos. O evento, conhecido por seu luxo e ostentação, foi patrocinado por Jeff Bezos, fundador da Amazon e um dos homens mais ricos do mundo. A ocasião não passou despercebida por políticos progressistas, que aproveitaram para atacar o bilionário.
Elizabeth Warren, senadora democrata de Massachusetts, afirmou em tom moderado: "Se Jeff Bezos pode gastar US$ 10 milhões para patrocinar o Met Gala, ele pode pagar sua parte justa em impostos". Já Bernie Sanders, senador independente de Vermont, foi mais direto em uma publicação no X (antigo Twitter):
A realidade da vida americana hoje:
Jeff Bezos, com patrimônio de US$ 290 bilhões, gastou:
• US$ 10 milhões no Met Gala
• US$ 120 milhões em um apartamento de luxo
• US$ 500 milhões em um iate
Enquanto isso, planeja demitir 600 mil trabalhadores da Amazon e substituí-los por robôs.
Inaceitável.
Alexandria Ocasio-Cortez, deputada democrata de Nova York, foi ainda mais longe. Em entrevista à comediante Ilana Glazer, ela afirmou que "é simplesmente impossível ganhar US$ 1 bilhão". Segundo Ocasio-Cortez, quem chega a esse patamar o faz por meio de poder de mercado, quebra de regras, exploração de leis trabalhistas e pagamento abaixo do valor justo aos funcionários.
O mito do bilionário como vilão
Por trás dessas críticas está a ideia de que os bilionários não são apenas pessoas que pagam poucos impostos, mas sim indivíduos maus por natureza. Essa narrativa ganhou força em certos círculos políticos e midiáticos, mas será que ela se sustenta?
Empresas como a Amazon, fundada por Bezos, permitiram que milhões de pessoas comprassem produtos de forma mais rápida e barata. Além disso, a companhia emprega atualmente 1,58 milhão de pessoas em todo o mundo. Da mesma forma, Google, criado por Sergey Brin e Larry Page, revolucionou o acesso à informação — possivelmente até como você está lendo este artigo. E Apple, liderada por Steve Jobs, tornou computadores acessíveis a milhões.
Esses exemplos mostram que, embora existam bilionários que agem de forma antiética, a riqueza em si não é sinônimo de maldade. Criar produtos ou serviços que beneficiam a sociedade não torna ninguém um "vilão".
Por que o ódio aos ricos?
Há quem argumente que o discurso contra os bilionários é uma estratégia política para mobilizar eleitores. Afinal, prometer taxar os mais ricos é um tema recorrente na agenda progressista. No entanto, a demonização sistemática de indivíduos bem-sucedidos pode distorcer o debate econômico e afastar investimentos.
Em vez de focar em soluções para reduzir desigualdades, como políticas de educação e inovação, alguns políticos preferem culpar os ricos por todos os problemas sociais. Isso não apenas simplifica uma questão complexa, como também ignora o papel que empresas e empreendedores desempenham no desenvolvimento econômico.
No fim das contas, a discussão sobre impostos e justiça social é válida, mas é preciso separar o joio do trigo. Nem todo bilionário é um vilão, e nem toda crítica aos ricos é fundamentada em fatos.