A mineradora MARA Holdings está mudando sua estratégia ao vender US$ 1,5 bilhão em Bitcoin no primeiro trimestre de 2024. A decisão marca a transição da empresa, que deixa de ser uma mineradora exclusiva de Bitcoin para focar em infraestrutura de energia e data centers de inteligência artificial (IA).
Os resultados financeiros da MARA no período refletem essa mudança. No primeiro trimestre, a empresa registrou receita de US$ 174,6 milhões, uma queda de 18% em comparação ao mesmo período do ano anterior, além de um prejuízo líquido de cerca de US$ 1,3 bilhão. Segundo a administração, a maior parte desse prejuízo foi influenciada pela desvalorização de US$ 1 bilhão em seus ativos digitais, após uma queda acentuada no preço do Bitcoin.
Apesar de ter minerado 2.247 Bitcoins no trimestre e aumentado sua capacidade de processamento em 33% em relação ao ano passado, chegando a 72,2 exahashes por segundo, esses ganhos operacionais não compensaram as perdas contábeis com suas reservas de Bitcoin.
Venda de Bitcoin para reduzir dívidas e financiar aquisições
Para fortalecer seu balanço patrimonial, a MARA vendeu aproximadamente US$ 1,5 bilhão em Bitcoin durante o trimestre. Dentre as transações, destacou-se a venda de um lote de US$ 1,1 bilhão no final do período, usado para recomprar notas conversíveis. Ao todo, a empresa alienou 20.880 Bitcoins, reduzindo suas reservas de 38.689 para 35.303 moedas ao final do trimestre. Essa movimentação fez com que a MARA deixasse de ser a segunda maior detentora pública de Bitcoin, caindo para a quarta posição, segundo dados da Bitcoin Treasuries.
A administração da empresa justificou a venda como uma estratégia para utilizar o Bitcoin como "munição" no balanço, em vez de mantê-lo como uma reserva intocável.
Estratégia: do Bitcoin para a IA
Mesmo continuando suas operações de mineração, a MARA está sinalizando uma mudança estratégica. Em seu relatório de resultados, a empresa afirmou que não pretende realizar grandes compras de novos equipamentos ASIC, uma abordagem comum em ciclos anteriores para expandir a capacidade de mineração. Em vez disso, a mineradora está direcionando seus investimentos para infraestrutura de energia e data centers capazes de suportar tanto a mineração de Bitcoin quanto cargas de computação de alto desempenho para IA.
Um marco dessa transição é a aquisição pendente do campus energético Long Ridge Energy Power, em Hannibal, Ohio, por US$ 1,5 bilhão. O complexo inclui uma usina termelétrica a gás de 505 megawatts e extensas áreas para expansão. Segundo a MARA, o local poderá suportar mais de 600 megawatts de carga para IA e infraestrutura crítica de TI, com a mineração de Bitcoin integrada ao campus.
A empresa também firmou parceria com a Starwood Capital para converter algumas de suas instalações de mineração em data centers de IA e computação de alto desempenho, diversificando suas fontes de receita além das recompensas de bloco. Segundo a mineradora, cerca de 90% de sua capacidade não hospedada poderá, eventualmente, suportar infraestrutura de IA e TI.
Essa estratégia posiciona a MARA no centro de dois setores com alta demanda energética: mineração de Bitcoin e computação para IA. Além disso, a empresa ganha flexibilidade para direcionar energia para o mercado que oferecer melhores retornos em determinado momento.