O Papa Leão XIV anunciou a nomeação de três novos bispos nos Estados Unidos, todos reconhecidos por suas críticas públicas ao ex-presidente Donald Trump. As escolhas refletem uma estratégia deliberada do Vaticano para posicionar líderes religiosos que não hesitarão em confrontar políticas controversas do governo americano.

Evelio Menjivar, que chegou aos EUA ainda adolescente escondido no porta-malas de um carro após fugir de El Salvador, foi nomeado bispo da Diocese de Wheeling-Charleston, em West Virginia. Menjivar, que viveu na condição de imigrante indocumentado, publicou críticas contundentes às políticas migratórias de Trump no National Catholic Reporter.

“O governo federal lançou uma campanha de ‘choque e pavor’ com ameaças agressivas e operações de questionável legalidade, muito além da simples ‘execução’ das leis migratórias”, escreveu. “Devemos nos posicionar ao lado dos mais vulneráveis… e não permitir que o ódio anti-imigrante se espalhe.”

Os outros dois nomeados, Gary Studniewski e Robert Boxie III, assumirão como bispos auxiliares em Washington, D.C. Studniewski, ex-capelão do Exército americano e atuante na região do Capitólio, classificou a invasão do Congresso em 6 de janeiro de 2021 como “muito perturbadora e desanimadora”.

“Era um dia normal até o surgimento daquele clima doentio de revolta à tarde”, declarou ao Today’s Catholic em 2021.

Já Boxie, que atua na Universidade Howard, criticou duramente a ofensiva de Trump contra políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). “Em muitos aspectos, avançamos muito, mas em tantos outros, sinto que estamos regredindo”, afirmou. “É extremamente frustrante viver este momento. Os ataques ao termo ‘DEI’ são absurdos — nem sei mais o que ele significa. Foi sequestrado e passou a representar coisas diferentes para pessoas diferentes.”