A Ópera Nacional de Washington vive um momento de revitalização após decidir se afastar do controle de Donald Trump e deixar o John F. Kennedy Center, sua antiga sede por sete décadas. A mudança, ocorrida há cerca de um ano, não prejudicou a companhia, que segue em plena reinvenção, segundo reportagem do The New York Times publicada na sexta-feira (13).
“Não perdemos nenhum artista, nenhum funcionário e ninguém deixou de receber salário ou benefícios. Todos permaneceram unidos”, afirmou Francesca Zambello, diretora artística da ópera, ao jornal. Ela destacou que, embora a captação de recursos tenha se tornado mais desafiadora, o processo também trouxe “liberdade incrível” para a companhia.
A programação da ópera foi ajustada: neste ano, serão apresentadas mais óperas do que na temporada 2024-25, mas com menos apresentações por produção. “Isso reflete a competição por espaços em auditórios já reservados com antecedência”, explicou o Times.
O orçamento da companhia cresceu de US$ 25 milhões no ano passado para cerca de US$ 30 milhões em 2025, devido ao aumento de custos com aluguel de espaços e à perda de subsídios governamentais e equipe interna. Um fundo de US$ 17 milhões também está em jogo.
“Tivemos que aumentar significativamente o orçamento de captação para cobrir novos custos e compensar a redução de semanas disponíveis em novos espaços, o que significa menos apresentações por produção”, declarou Timothy O’Leary, diretor-geral da ópera. “Felizmente, recebemos apoio da diretoria, doadores e de uma onda de novos contribuintes de todo o país.”
Antes da interferência de Trump, o Kennedy Center era reconhecido como uma das principais instituições culturais do mundo. Desde que a Casa Branca assumiu o controle de suas operações e programação, porém, sua tradicional programação de alto nível entrou em colapso. Em dezembro, o presidente decidiu rebatizar o centro como “The Donald J. Trump and the John F. Kennedy Memorial Center for the Performing Arts”, em clara afronta às leis que criaram a instituição.