O escritor Stephen King, autor de clássicos como Carrie e O Iluminado, não poupou críticas ao ex-presidente Donald Trump e à ex-primeira-dama Melania Trump após eles pedirem a demissão de Jimmy Kimmel, apresentador do programa Jimmy Kimmel Live!, da ABC.

Em uma publicação no X (antigo Twitter) na tarde de segunda-feira (27), King escreveu:

"Pessoas que vivem em casas de vidro não devem atirar pedras."

A mensagem do autor foi uma resposta direta a uma série de declarações dos Trump, que exigiram a demissão de Kimmel após um comentário considerado ofensivo pela ex-primeira-dama. Durante seu programa na quinta-feira (22), Kimmel brincou com um esboço do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, que acabou sendo interrompido por um atentado no sábado seguinte.

Na ocasião, Kimmel disse:

"Olha a Melania, tão bonita. Senhora Trump, você tem um brilho como de uma viúva grávida."

O comentário gerou revolta entre apoiadores de Trump, incluindo Melania, que publicou no X:

"O discurso de ódio e violento de Kimmel tem a intenção de dividir nosso país. Seu monólogo sobre minha família não é comédia — suas palavras são corrosivas e aprofundam a doença política nos Estados Unidos. Pessoas como Kimmel não deveriam ter a oportunidade de entrar em nossos lares todas as noites para espalhar ódio."

Ela ainda acrescentou:

"Um covarde, Kimmel se esconde atrás da ABC porque sabe que a rede continuará o protegendo."

Donald Trump também se manifestou no Truth Social, classificando o comentário de Kimmel como "algo além do aceitável" e pedindo sua demissão imediata.

Em resposta, Stephen King lembrou das próprias declarações controversas do ex-presidente, como a comemoração pela morte de Robert Mueller, ex-chefe da investigação sobre a interferência russa nas eleições americanas. Trump escreveu:

"Bom. Estou feliz que ele morreu."

King também citou críticas semelhantes feitas por Trump a Rob Reiner, ator e diretor conhecido por seu ativismo político.

O escritor não foi o único a defender a liberdade de expressão. Mehdi Hasan, apresentador de TV, a comediante Loni Love e o ex-conselheiro de Barack Obama, David Axelrod, também se posicionaram a favor de Kimmel. Até mesmo a comissária da FCC (Comissão Federal de Comunicações dos EUA), Anna M. Gomez, afirmou que o atentado no sábado não pode ser usado como justificativa para censurar discursos, mesmo aqueles com os quais não concordamos.

Gomez declarou:

"Meus pensamentos estão com o agente do Serviço Secreto ferido no sábado à noite, e sou grata por nenhuma vida ter sido perdida no que deveria ter sido uma celebração da imprensa livre."

Fonte: The Wrap