Fim de uma era: Cook deixa o comando da Apple

A Apple anunciou nesta segunda-feira que Tim Cook deixará o cargo de CEO em setembro de 2024, assumindo o posto de chairman executivo. A decisão, aprovada por unanimidade pelo conselho da empresa, será implementada ao longo dos próximos meses. John Ternus, atual vice-presidente sênior de hardware, será o novo CEO.

Cook liderou a Apple por mais de uma década, desde que assumiu o cargo em 2011 após a saída de Steve Jobs, que faleceu ainda naquele ano. Sua trajetória na empresa começou em 1998, quando ingressou como COO e, em diversas ocasiões, atuou como CEO interino antes de ser nomeado definitivamente.

As cinco grandes mudanças sob o comando de Cook

1. Construção da identidade pós-Jobs

Quando Cook assumiu, havia dúvidas sobre como a Apple se desenvolveria sem Steve Jobs.

"O problema não está nas operações da Apple, mas sim na inspiração de Jobs, que é insubstituível." — Analista do The New York Times, em 2011

Apesar das incertezas, a empresa manteve seu status de gigante tecnológico, mesmo após a saída de Jony Ive, seu principal designer, em 2019. Embora não tenha lançado produtos tão revolucionários quanto o iPhone, a Apple expandiu sua linha de hardware com lançamentos como Apple Watch, AirPods e Vision Pro. Cook também supervisionou o fim do iPod em 2022.

Sua liderança refletiu-se nos resultados financeiros: desde 2011, o preço da ação da Apple saltou de cerca de US$ 13 para mais de US$ 250.

2. Expansão do ecossistema de serviços

Cook impulsionou o crescimento do setor de serviços da Apple, criando um ecossistema integrado de software e aplicativos. Embora serviços como iTunes e iBookstore tenham sido descontinuados ou renomeados, a empresa consolidou uma potência em software com:

  • Apple Music — plataforma de streaming de música;
  • Apple Podcasts — hub de conteúdo em áudio;
  • Apple Fitness+ — serviço de condicionamento físico;
  • Apple TV+ — plataforma de streaming com séries aclamadas como For All Mankind, Severance e The Morning Show.

Em 2023, o setor de Serviços da Apple atingiu receita recorde, mesmo enfrentando escrutínio antitruste e acusações de práticas anticompetitivas, especialmente relacionadas à App Store.

3. Internacionalização e crescimento global

Sob a gestão de Cook, a Apple expandiu sua presença para mais de 200 países e territórios. A empresa também diversificou sua linha de produtos, lançando novas categorias como:

  • Apple Watch (2015) — relógio inteligente que se tornou líder de mercado;
  • AirPods (2016) — fones de ouvido sem fio que revolucionaram o segmento;
  • HomePod (2018) — alto-falante inteligente;
  • Vision Pro (2024) — óculos de realidade virtual.

Essas inovações ajudaram a empresa a quadruplicar sua receita e aumentar sua capitalização de mercado de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões.

4. Foco em inovação e sustentabilidade

A Apple intensificou seus investimentos em tecnologias sustentáveis, como:

  • Uso de 100% de energia renovável em suas operações globais;
  • Redução de emissões de carbono em sua cadeia de suprimentos;
  • Programas de reciclagem avançada para dispositivos eletrônicos.

A empresa também lançou iniciativas como o Apple Trade In, que incentiva a troca de dispositivos antigos por descontos em novos produtos, reduzindo o lixo eletrônico.

5. Fortalecimento da marca e relação com investidores

Cook transformou a Apple em uma das empresas mais valiosas do mundo, não apenas pela inovação, mas também pela gestão transparente e relação próxima com acionistas. Durante seu mandato:

  • A empresa distribuiu mais de US$ 560 bilhões em dividendos e recompra de ações;
  • Manteve uma política de transparência em relatórios financeiros;
  • Investiu fortemente em pesquisa e desenvolvimento, com gastos anuais superiores a US$ 20 bilhões.

Sua liderança também foi marcada por uma abordagem mais diplomática e global, com viagens frequentes para fortalecer parcerias internacionais.

Legado e futuro da Apple

Cook deixa um legado de estabilidade, crescimento e inovação. Embora sua saída marque o fim de uma era, a empresa segue bem posicionada para o futuro com uma nova liderança e um portfólio diversificado de produtos e serviços.

Analistas destacam que, apesar das críticas, Cook conseguiu manter a Apple como uma das empresas mais influentes do mundo, mesmo após a perda de figuras icônicas como Jobs e Ive.

Com a transição para o novo CEO, a pergunta que fica é: a Apple conseguirá manter seu ritmo de inovação e crescimento?