O XRP Ledger (XRPL) já abriga cerca de US$ 3,6 bilhões em ativos do mundo real (excluindo stablecoins), divididos entre US$ 1 bilhão em ativos distribuídos e US$ 2,6 bilhões em ativos representados. Essa distribuição — com 71% concentrados em ativos representados — reforça o papel da blockchain como uma camada de registro e reconciliação de contratos e compromissos reais, mantidos dentro de estruturas controladas.

Segundo a plataforma RWA.xyz, os ativos distribuídos são tokenizados e podem ser transferidos entre pares, enquanto os representados permanecem dentro da plataforma emissora, com a blockchain apenas registrando e reconciliando as reivindicações vinculadas a esses ativos. Embora a maioria das discussões sobre RWAs (ativos do mundo real) foque nos ativos distribuídos, o XRPL se destaca com US$ 2,6 bilhões em ativos representados, predominantemente no segmento de infraestrutura e registro.

Dados da RWA.xyz mostram que o token JMWH, lastreado em megawatt-hora de energia, lidera esse segmento, com um valor total de US$ 1,76 bilhão — um crescimento de 104,79% nos últimos 30 dias desde seu lançamento em 13 de janeiro. Cada JMWH representa um megawatt-hora real de energia, garantido por empresas do setor energético. Esse único ativo responde por metade do valor total de RWAs no XRPL e por cerca de 70% do segmento de ativos representados na rede.

A energia se encaixa perfeitamente nesse modelo

Commodities, especialmente a energia, apresentam desafios operacionais complexos que vão além do acesso de investidores. Alocação de produção, execução de contratos, confirmação de entrega, rastreamento de consumo, faturamento, relatórios ESG e trilhas de auditoria são fluxos de trabalho essenciais que exigem registros compartilhados e confiáveis entre partes com sistemas internos distintos.

A Justoken, emissora do JMWH, atua no setor de commodities, energia e recursos naturais. Seu produto Enertoken, desenvolvido em parceria com a YPF Luz (produtora argentina de energia), utiliza a blockchain como infraestrutura para produção e comercialização de energia. Um anúncio de março de 2026 destacou que o Enertoken permite que empresas e grandes consumidores contratem, gerenciem e monitorem energia digitalmente, integrando simulação de custos, execução de contratos, rastreamento de consumo, faturamento e relatórios em tempo real — além de aprimorar a auditabilidade e a conformidade com ESG.

Luke Judges, da RippleX, explicou em entrevista que o design do JMWH funciona como um registro verificável de propriedade e cumprimento, com a blockchain atuando como o livro-razão dessas obrigações.

Por que o XRPL é ideal para esse caso de uso?

O XRPL oferece recursos nativos que se alinham perfeitamente aos fluxos de trabalho institucionais de commodities, especialmente no modelo de ativos representados. Sua documentação sobre Multi-Purpose Token descreve recursos como conformidade, controle e metadados integrados diretamente ao token, além de autorização nativa, congelamento de transações, recuperação de tokens, metadados ricos e administração delegada. Para operadores de energia, a capacidade de congelar ou restringir o movimento de tokens se encaixa no modelo de ativos representados, enquanto a incorporação de metadados apoia a rastreabilidade e os dados de certificação exigidos por fluxos de trabalho de energia e sustentabilidade.

Atualmente, o valor total de commodities tokenizadas em todas as redes chega a US$ 8,1 bilhões (incluindo distribuídos e representados), com um crescimento de 7,43% nos últimos 30 dias. Em comparação, os títulos do Tesouro dos EUA tokenizados já ultrapassam US$ 15 bilhões. O setor de commodities é grande o suficiente para que um único ativo energético representativo possa alterar significativamente o perfil de RWAs de uma rede.

No XRPL, a composição atual de 301 projetos de RWAs e um volume de transferência de US$ 150,8 milhões nos últimos 30 dias reflete um esforço concentrado em infraestrutura de commodities e energia.