Trenbolone: o esteroide de gado que virou febre entre adolescentes
Antes, adolescentes preocupados com a aparência investiam em fotos no shopping ou filtros em selfies. Hoje, na era do looksmaxing — busca obsessiva por otimização corporal —, muitos jovens recorrem a métodos extremos. Um dos mais perigosos é o uso de trenbolone, ou "tren", um esteroide anabolizante de uso veterinário, desenvolvido para engordar bovinos antes do abate.
O caso de Zaid Laila: transformação em 10 meses
Zaid Laila, de 16 anos, é um dos jovens que aderiram ao uso do trenbolone. Em entrevista à CBS, o adolescente de Dallas admitiu que a substância foi sua "atalho" para conquistar um físico musculoso e definido, idealizado nas redes sociais.
"Por que esperar 10 anos se posso conseguir em menos de um ano?"
Em apenas 10 meses de uso, Laila documentou sua transformação em sua conta no Instagram, exibindo seringas do esteroide como símbolo de status. "Foi preciso muito esteroide e muito treino", declarou ao veículo.
Riscos ignorados em nome da aparência
Apesar dos perigos conhecidos, adolescentes como Laila — influenciados pela cultura do looksmaxing — seguem usando a substância. O trenbolone sobrecarrega o coração, aumentando o risco de infartos, coágulos sanguíneos, derrames e danos arteriais.
"Se eu tiver um infarto aos 30, terei um infarto. Mas ainda vou usar [esteroides]. Sei dos riscos."
O que é looksmaxing?
O termo refere-se à prática de maximizar atributos físicos por meio de cirurgias, suplementos, esteroides ou até mesmo tratamentos estéticos. Nas redes sociais, jovens compartilham resultados e técnicas, criando uma competição por corpos cada vez mais definidos e musculosos.
Por que a tendência preocupa médicos
A busca por padrões irreais de beleza, aliada ao acesso fácil a informações sobre esteroides, tem levado cada vez mais adolescentes a arriscar a saúde. Especialistas alertam para os efeitos colaterais a longo prazo, como:
- Disfunção hepática;
- Alterações psicológicas, incluindo depressão e ansiedade;
- Infertilidade;
- Dependência química.
O papel das redes sociais
Plataformas como Instagram e TikTok amplificam o fenômeno, com jovens exibindo resultados rápidos e incentivando o uso de substâncias perigosas. A cultura da "transformação instantânea" ignora os riscos, priorizando a estética sobre a saúde.
Enquanto a sociedade debate os padrões de beleza, casos como o de Laila servem de alerta: a obsessão por um corpo perfeito pode ter consequências irreversíveis.