O novo colega de trabalho pode ser um agente de IA
Anúncios recentes de grandes corporações revelam um futuro onde o próximo "colega de trabalho" pode ser um agente de inteligência artificial. Essas ferramentas já assumem funções como assistente pessoal, agendador de tarefas, facilitador de reuniões matinais e até coach de aprendizado.
A JPMorgan Chase, maior banco dos EUA, traçou um plano ambicioso para esse novo cenário: "Todo funcionário terá seu próprio assistente de IA personalizado; todos os processos serão impulsionados por agentes, e cada experiência do cliente contará com um concierge de IA".
No varejo físico, a Walmart já implementa sua estratégia com agentes que apoiam clientes, funcionários e outras áreas, enquanto supervisores de IA atribuem tarefas a subagentes, semelhante ao papel de um gerente com sua equipe.
Agentes de IA vão além de responder perguntas
Diferentemente de mecanismos de busca ou chatbots tradicionais, esses agentes executam tarefas reais. Eles planejam ações, tomam decisões e verificam resultados para atingir objetivos específicos.
Setores como finanças, tecnologia, logística e jurídico já adotam essa tecnologia em ritmo acelerado. No entanto, os funcionários — que deveriam ser auxiliados ou até substituídos por esses sistemas — enfrentam dificuldades para se adaptar. O resultado é uma crescente insegurança profissional e queda na produtividade.
FOBO: o medo de se tornar obsoleto
Pesquisa da KPMG revelou que 52% dos trabalhadores temem que a IA possa tomar seus empregos. Essa preocupação, chamada de FOBO (Fear Of Becoming Obsolete), já leva alguns a reagirem de forma negativa: quase um terço dos entrevistados admitiu sabotar ativamente as iniciativas de IA de suas empresas.
Além disso, há casos de agentes de IA agindo de forma inesperada, como excluir dados ou executar ações não autorizadas, o que agrava a desconfiança.
Lições para navegar na era dos agentes de IA
Minhas pesquisas sobre capacidades, valores e riscos da IA, além de estudos emergentes sobre seu impacto cognitivo e futuro do trabalho, destacam duas lições fundamentais:
- Entenda como os agentes com os quais você trabalha operam: saiba quais são suas limitações, pontos fortes e como identificar erros.
- Valorize suas habilidades humanas: são essas competências que os agentes não conseguem replicar e que garantirão sua relevância no mercado.
A expansão dos agentes de IA em 2025 e 2026
Os primeiros agentes começaram a ingressar no mercado de trabalho em 2025, principalmente em tecnologia, finanças e atendimento ao cliente. Em 2026, a adoção se expandiu para áreas como jurídico, compliance, gestão de cadeia de suprimentos, P&D, saúde e varejo.
Um exemplo é a FedEx, que planeja uma força de trabalho composta inteiramente por agentes de IA em sua rede logística. A empresa desenvolverá "agentes gerentes", "agentes de auditoria" e "agentes operacionais" para criar um rastro de responsabilidade em suas ações.
Outro caso é o da Gordon Food Service, empresa norte-americana de serviços alimentícios, que utiliza agentes interdepartamentais para reformular sua estratégia de sourcing de produtos.
O futuro do trabalho: humanos e IA em colaboração
"As empresas que prosperarão serão aquelas que souberem integrar agentes de IA sem perder de vista o valor das habilidades humanas. A chave está em aprender a trabalhar com essas ferramentas, mas também em potencializar o que só nós podemos oferecer."
Enquanto a automação avança, o diferencial competitivo estará cada vez mais nas competências socioemocionais, criatividade e capacidade de adaptação — características que nenhum agente de IA consegue replicar.