A disseminação de textos produzidos por inteligência artificial (IA), impulsionada pelo lançamento do ChatGPT em novembro de 2022, parece ter atingido um teto. Segundo nova análise da agência de marketing digital Graphite, a participação de artigos, posts em blogs e listas predominantemente gerados por IA na web se mantém próxima a 50% há mais de um ano — um sinal de que a feared takeover (suposta dominação) da escrita humana pela máquina não se concretizou, ao menos por enquanto.
O cenário atual e suas implicações
Pesquisadores que estudam a expansão de conteúdos escritos por IA alertam para um possível efeito colateral: se os modelos de linguagem passarem a ser treinados com dados sintéticos, a internet poderia se tornar um ciclo vicioso de conteúdo de baixa qualidade.
"Esses modelos são inteligentes porque se baseiam em todo o conhecimento que colocamos na web, criado sem a ajuda deles. Se deixarmos de produzir conhecimento independente dessas ferramentas, o que vai alimentar o avanço delas?" — Dan Klein, professor da UC Berkeley e CTO de modelo de IA.
Dados revelam estagnação após crescimento inicial
Após o lançamento do ChatGPT, a produção de artigos predominantemente gerados por IA cresceu rapidamente. Em um ano, eles representavam 35,9% dos novos conteúdos online. Em dois anos, o índice chegou a 48%. Desde o início de 2025, no entanto, a participação se estabilizou em torno de 50%.
Metodologia da pesquisa
A Graphite analisou 55.400 URLs em inglês do Common Crawl — um grande arquivo público da web, frequentemente usado em pesquisas e conjuntos de dados para treinamento de IA. Os critérios incluíam:
- Textos com pelo menos 100 palavras;
- Datas de publicação entre janeiro de 2020 e março de 2026;
- Classificação como artigos ou listas.
Cada conteúdo foi submetido a três ferramentas de detecção de IA: Pangram, GPTZero e Copyleaks.
A linha tênue entre IA e escrita humana
Contar com precisão quantos textos são gerados por IA ainda é um desafio. Muitos artigos não são produzidos exclusivamente por humanos ou máquinas: profissionais podem usar IA para esboçar, reescrever ou editar textos, tornando a fronteira entre "IA" e "humano" cada vez mais difusa.
A Graphite classifica um artigo como predominantemente gerado por IA apenas quando a maior parte do texto é detectada como escrito ou assistido por IA. "A qualidade do conteúdo gerado por IA está melhorando rapidamente. Em muitos casos, é tão bom ou melhor do que o produzido por humanos, e muitas vezes é difícil distinguir a origem", afirma a análise da empresa.
Conclusão: equilíbrio temporário, mas riscos à frente
Hoje, a IA escreve aproximadamente o mesmo número de artigos que os humanos. No entanto, há indícios de que a produção automatizada atingiu um limite — pelo menos por enquanto. Especialistas destacam que, sem um controle rigoroso, o ciclo de retroalimentação de conteúdos sintéticos poderia comprometer a qualidade da informação disponível na internet.