Um bot especializado em Extração de Valor Máximo (MEV), identificado como JaredFromSubway.eth, executou um ataque do tipo "sanduíche" em uma transação do cofundador da Ethereum, Vitalik Buterin, na blockchain Ethereum. O incidente resultou na perda de uma pequena quantidade de ETH por parte de Buterin, enquanto o bot lucrou com a operação.
Como ocorreu o ataque 'sanduíche'
Buterin realizou uma venda de tokens DigitalBits (XDB) por meio do Uniswap V2, configurando o parâmetro amountOutMin como zero. Essa configuração permitiu que qualquer saída não nula fosse aceita, mesmo que o preço do token sofresse uma queda significativa durante a transação.
O bot JaredFromSubway.eth, monitorando o mempool público da Ethereum, identificou a transação desprotegida de Buterin e inseriu suas próprias operações antes e depois da dele:
- Antes da transação de Buterin: O bot despejou uma grande quantidade de XDB na mesma pool do Uniswap V2, o que deprimiu o preço que Buterin receberia pela venda de seus tokens.
- Após a transação de Buterin: O bot recomprou os XDB a um preço mais baixo e os converteu novamente em ETH por meio de outra pool de liquidez, fechando o ciclo.
Após o pagamento das taxas de gás, o bot obteve um lucro mínimo, mas o principal objetivo parecia ser a brincadeira com a reputação de Buterin, já que o nome do bot faz referência a Jared Fogle, ex-porta-voz da Subway que teve seu nome associado a crimes graves.
O nome por trás do bot: uma ironia do mercado crypto
O nome JaredFromSubway é uma referência irônica a Jared Fogle, ex-celebridade que perdeu cerca de 120 kg e estrelou comerciais da Subway nos anos 2000. Após sua fama, descobriu-se que ele havia cometido crimes sexuais envolvendo menores, resultando em uma condenação criminal e prisão com previsão de soltura apenas em 2029.
Apesar de seu passado controverso, o mercado crypto — conhecido por seu humor ácido — adotou o nome para um bot de MEV. Vale ressaltar que Fogle não tem qualquer relação com o bot e não controla suas operações. O trader por trás do ENS JaredFromSubway.eth aproveitou-se da transação de Buterin no bloco 24.993.038 da Ethereum para executar o ataque.
Lições sobre segurança e MEV na Ethereum
O incidente destaca a importância de configurar corretamente os parâmetros de negociação em protocolos DeFi, como o Uniswap. Ao definir amountOutMin = 0, Buterin abriu espaço para que bots de MEV explorassem a transação, mesmo que involuntariamente.
Especialistas alertam que negociações automatizadas e configurações permissivas podem resultar em perdas financeiras, mesmo para usuários experientes como Buterin. Além disso, o ataque reforça a necessidade de os usuários estarem cientes dos riscos associados ao MEV, um fenômeno cada vez mais comum na Ethereum.
"Se até o Vitalik pode ser vítima de um ataque 'sanduíche', qualquer um pode. Talvez seja a hora de aprender mais sobre MEV, mempools e como evitar doar dinheiro para bots."
Por que Buterin foi alvo?
Buterin tem o hábito de doar tokens recebidos em airdrops não solicitados, convertendo-os em ETH para financiar causas filantrópicas. Como grande parte de seu patrimônio vem de sua alocação pré-minerada de ETH, ele costuma repassar moedas extras recebidas. Neste caso, entretanto, a doação acabou indo parar nas mãos erradas devido ao ataque do bot.
Como se proteger de ataques de MEV?
Para evitar prejuízos causados por bots de MEV, especialistas recomendam:
- Usar exchanges descentralizadas (DEXs) com proteção contra MEV: Plataformas como CowSwap ou 1inch oferecem mecanismos para minimizar o impacto de ataques de sanduíche.
- Configurar parâmetros de slippage com cuidado: Evitar definir amountOutMin = 0 e ajustar limites realistas para evitar perdas.
- Utilizar soluções de private transactions: Serviços como Flashbots permitem que transações sejam enviadas diretamente para mineradores, reduzindo a exposição ao mempool público.
- Monitorar transações em tempo real: Ferramentas como Etherscan ou Blocknative ajudam a identificar atividades suspeitas antes que sejam confirmadas.