A Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) está em negociações para comprar instalações de detenção imigratória prontas para uso de seus maiores fornecedores, como CoreCivic e GeoGroup. A mudança de estratégia ocorre após forte resistência local a planos de reformar galpões em prisões de grande porte.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) busca agora possuir suas próprias instalações, abandonando o modelo anterior, baseado majoritariamente em locação. Em 2024, a rede de detenção chegou a abrigar mais de 70 mil pessoas.
Planos de expansão e resistência local
Segundo o CEO da CoreCivic, Patrick Swindle, a nova abordagem prevê uma rede nacional consolidada, com instalações maiores capazes de atender demandas em todo o país. A empresa, que aluga cerca de 25% dos leitos de detenção da ICE, negocia a venda de algumas de suas unidades.
A GeoGroup, outro grande fornecedor, também confirmou diálogos para vender instalações à agência. O CEO George Zoley afirmou que as negociações estão avançadas e podem se concretizar ainda em 2024, sujeitas a acordos de preço e manutenção sob contratos de longo prazo.
Obstáculos e processos judiciais
A ICE já havia comprado 11 galpões para conversão em prisões, mas nenhum está em funcionamento. Projetos em Hagerstown (Maryland) e Surprise (Arizona) enfrentam paralisações por ações judiciais e pressões políticas.
Em Maryland, uma ação ambiental bloqueou reformas em um galpão. Em Arizona, o governo estadual emitiu uma ordem de suspensão em um projeto de 10 mil leitos, também alvo de litígios. Além disso, há discussões sobre vender alguns desses galpões já adquiridos.
Objetivos e críticas
O governo Trump havia estabelecido meta de atingir 100 mil leitos em prisões imigratórias. No entanto, a estratégia atual enfrenta resistência de ativistas, autoridades locais e até de republicanos, que rejeitam a expansão do sistema de detenção.
Zoley afirmou que o projeto dos galpões está pausado, enquanto o DHS avalia alternativas para aumentar a capacidade de detenção. A ICE opera atualmente cerca de 200 instalações no país, além de parcerias com prisões locais.
O DHS não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.