Os presidentes Xi Jinping, da China, e Donald Trump, dos Estados Unidos, deram início a uma série de reuniões estratégicas em Pequim nesta semana. O objetivo principal dos dois dias de discussões é garantir a estabilidade nas relações entre as duas maiores economias do mundo.
A cúpula, que começou na quinta-feira (14), teve sua primeira etapa concluída na manhã do mesmo dia, após cerca de duas horas de conversas. Trump deve deixar a China na sexta-feira (15), após um último encontro privado com Xi. No entanto, não são esperados avanços significativos em temas polêmicos, como a guerra no Irã, comércio, tecnologia e Taiwan.
O foco principal de Trump durante o encontro é a negociação comercial, com ênfase em acordos que incentivem a China a comprar mais produtos agrícolas e aviões de passageiros dos EUA. Além disso, os líderes devem estabelecer um conselho para mediar diferenças e evitar um novo ciclo de tensões comerciais, semelhante à guerra comercial deflagrada em 2018 após a imposição de tarifas americanas.
Em um momento fechado com Trump, Xi Jinping emitiu um alerta contundente: se a questão de Taiwan for tratada com cuidado, as relações sino-americanas poderão manter a estabilidade. Caso contrário, advertiu, os dois países correm o risco de enfrentar "confrontos e até conflitos", colocando toda a relação em perigo. A declaração foi divulgada pela agência oficial chinesa Xinhua.
Em dezembro do ano passado, Trump autorizou um pacote de armas no valor de US$ 11 bilhões para Taiwan, ilha autônoma que Pequim considera parte de seu território. Até o momento, entretanto, a entrega desses armamentos ainda não foi efetivada.
Xi também garantiu que a China manterá sua porta aberta para negócios com os EUA, segundo declarou a líderes empresariais americanos que acompanham Trump. O presidente norte-americano, por sua vez, afirmou que esses executivos respeitam e valorizam o mercado chinês, incentivando-os a ampliar a cooperação com o país asiático, conforme relatou a Xinhua.
Outro tema central nas discussões deve ser a guerra entre EUA e Irã. Antes do início das reuniões, Trump esperava que a China, por sua influência regional, pudesse pressionar o Irã a aceitar os termos americanos para encerrar o conflito — que já dura dois meses — ou reabrir o Estreito de Ormuz, vital para o comércio global. No entanto, o presidente americano tem amenizado suas expectativas antes da cúpula.