Cúpula histórica em Pequim termina com promessas de estabilidade
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, encerraram na sexta-feira uma cúpula crítica em Pequim, reafirmando progressos na estabilização das relações entre as duas maiores economias globais. No entanto, diferenças profundas sobre questões como Taiwan, Irã e o controle de armas nucleares ainda dividem os dois países.
Venda de armas a Taiwan segue indefinida
Durante o voo de volta a Washington, Trump declarou à imprensa que ainda não havia tomado uma decisão sobre a aprovação da venda de armas dos EUA a Taiwan, um acordo já autorizado pela administração republicana, mas que enfrenta forte oposição chinesa. "Não decidi ainda, mas vou tomar uma decisão", afirmou. A China considera a ilha uma província rebelde e vê qualquer apoio militar a Taipei como uma interferência em seus assuntos internos.
Xi Jinping teria expressado sua oposição à independência de Taiwan durante os diálogos, segundo Trump. "Ele me disse que é contra a independência de Taiwan. Eu o ouvi, mas não fiz comentários", declarou o presidente americano.
Trump propõe novo pacto nuclear trilateral
Outro ponto central das discussões foi a proposta de Trump para um acordo nuclear envolvendo EUA, China e Rússia, visando limitar o número de ogivas nucleares em seus arsenais. Até então, a China havia demonstrado resistência à ideia. No entanto, o líder americano afirmou ter recebido uma resposta positiva de Xi.
"Recebi uma resposta muito positiva. Isso é só o começo", declarou Trump. Segundo estimativas do Pentágono, a China possui atualmente mais de 600 ogivas nucleares operacionais, número significativamente inferior aos mais de 5 mil de EUA e Rússia. Contudo, projeções indicam que Pequim pode ultrapassar a marca de 1 mil ogivas até 2030.
A expiração do tratado New START, que limitava os arsenais nucleares de EUA e Rússia, em fevereiro, deixou os dois países sem restrições pela primeira vez em décadas. Trump rejeitou uma extensão do acordo por um ano, proposta pela Rússia, e exigiu um novo pacto "melhorado e modernizado" que inclua a China.
Encontro marcado por simbolismo e diplomacia
Xi Jinping recebeu Trump na residência oficial de Zhongnanhai para o encerramento da cúpula, antes do retorno do presidente americano a Washington. Os líderes caminharam por jardins históricos, repletos de árvores centenárias e rosas chinesas, e percorreram um corredor coberto adornado com colunas verdes e pinturas tradicionais de montanhas e pássaros.
Durante um almoço de três horas, acompanhado por assessores e tradutores, Trump e Xi discutiram os rumos das relações bilaterais. "Foram dois dias realmente ótimos", afirmou Trump aos repórteres. Xi, por sua vez, classificou a visita como "histórica" e destacou a construção de um "relacionamento bilateral construtivo, estratégico e estável".
Divergências persistem em questões críticas
Apesar do tom otimista, as relações entre EUA e China ainda enfrentam desafios significativos. Pequim tem demonstrado pouco interesse em participar de esforços internacionais para resolver conflitos como o do Irã, conforme declarou Trump em entrevista à Fox News.
As tensões em torno de Taiwan, a competição tecnológica e as disputas comerciais continuam a moldar a dinâmica entre as duas potências, que, juntas, representam mais de 40% da economia global.