O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, encerraram nesta sexta-feira uma cúpula em Pequim com uma série de acordos comerciais e declarações de amizade. A visita incluiu um passeio privado pelo complexo de Zhongnanhai, sede do Partido Comunista Chinês, onde Trump elogiou as rosas do jardim como "as mais bonitas que já viu". Xi, por sua vez, prometeu enviar sementes da planta ao líder americano.
Por trás das imagens de cordialidade, no entanto, a relação entre as duas maiores economias do mundo permanece marcada por divergências profundas. Trump, que há uma década liderou o movimento de desacoplamento econômico entre os países, agora defende uma aproximação comercial com a China. "Fizemos alguns acordos comerciais fantásticos", declarou Trump durante o encerramento da cúpula, citando também um compromisso chinês de comprar 200 aviões Boeing.
Acordos e promessas comerciais
Austrália de Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, afirmou que a China deve se comprometer com compras anuais de pelo menos US$ 10 bilhões em produtos agrícolas americanos nos próximos três anos, além das já existentes compras de soja. Além disso, as duas nações negociam a criação de um "Conselho de Comércio" conjunto, que abrangiria cerca de US$ 30 bilhões em bens não sensíveis.
Tensões geopolíticas e sanções
Apesar dos avanços comerciais, a cúpula ocorreu em um cenário de crescente hostilidade entre Washington e Pequim. Nos dias que antecederam o encontro, o Departamento de Estado dos EUA sancionou três empresas chinesas por fornecerem imagens de satélite que auxiliaram o Irã em ataques contra forças americanas no Oriente Médio. O Departamento do Tesouro também penalizou várias refinarias chinesas, acusadas de comprar bilhões de dólares em petróleo iraniano, ignorando sanções americanas.
Em resposta, a China ordenou que empresas locais não cumprissem as sanções impostas pelos EUA. Um memorando da Casa Branca, elaborado pelo assessor de ciência de Trump, Michael Kratsios, acusou entidades chinesas de conduzirem campanhas em "escala industrial" para roubar tecnologias avançadas de empresas americanas.
Procuradores federais também apresentaram acusações contra o prefeito de Arcadia, na Califórnia, por atuar como agente ilegal do governo chinês, apenas 48 horas antes da chegada de Trump a Pequim.
Rivalidade EUA-China e o papel do Irã
Vazamentos de dentro do governo americano pintam um quadro ainda mais hostil das relações entre os dois países. Uma avaliação de inteligência, citada pelo Washington Post, revelou que a China estaria aproveitando a guerra no Irã para ampliar sua influência diplomática, militar e econômica sobre os EUA. Já o New York Times noticiou que empresas chinesas estariam negociando vendas clandestinas de armas ao Irã, utilizando países terceiros — incluindo nações africanas — para esconder a origem dos armamentos.
Trump, no entanto, afirmou em entrevista à Fox News que Xi Jinping teria garantido pessoalmente que a China não forneceria equipamentos militares ao Irã. "Não queremos que eles tenham uma arma nuclear. Queremos que os estreitos permaneçam abertos", declarou o presidente americano.