O desafio de liderar em tempos de crise
Jerome Hayden Powell, presidente do Federal Reserve (Fed) dos EUA, encerra nesta sexta-feira (15) oito anos à frente da autoridade monetária mais poderosa do mundo. Durante seu mandato, ele navegou por turbulências históricas, desde a pandemia de Covid-19 até pressões políticas sem precedentes para minar a independência do banco central.
Legado além dos números
Mais do que as taxas de juros ou os programas de estímulo, o que define o legado de Powell é sua abordagem de serviço público. Em uma era dominada por espetáculos midiáticos e polarização, ele manteve o foco no trabalho técnico e na estabilidade econômica.
Em abril de 2020, com o mundo em lockdown, o desemprego próximo a 15% e o PIB em queda livre, Powell proferiu uma frase que se tornou emblemática:
"Nenhum de nós tem o luxo de escolher os desafios; o destino e a história os apresentam para nós. Nosso trabalho é enfrentar os testes que nos são impostos."
A trajetória até a presidência do Fed
Powell não era o nome óbvio para o cargo. Em 2017, quando Donald Trump o indicou, especialistas davam apenas 5% de chances a ele. Advogado de formação e sem formação acadêmica em economia, Powell construiu sua carreira no mercado financeiro e no serviço público, atuando no Departamento do Tesouro durante a gestão de George H.W. Bush.
Nomeado governador do Fed por Barack Obama em 2011, ele se destacou como um operador discreto, focado em sistemas de pagamento e políticas monetárias. Quando Trump o escolheu como sucessor de Janet Yellen, buscava um perfil que mantivesse os estímulos econômicos da era Obama — mas também se adequasse à sua visão de nomeações "de cartaz".
Pressões políticas e conquistas econômicas
Apesar das críticas de Trump, que chegou a chamá-lo de "inimigo" do país, Powell manteve a independência do Fed. Suas decisões foram cruciais para evitar um colapso econômico ainda mais grave durante a pandemia e sustentar a recuperação que levou a economia americana a um crescimento recorde em 2019.
Em 2018, quando o Fed iniciou um ciclo de alta de juros, Trump reagiu com ataques públicos. Mesmo assim, Powell não cedeu, reafirmando o compromisso do banco central com a estabilidade de preços e o pleno emprego.
O que vem pela frente
Com a saída de Powell, o mercado aguarda com atenção quem será o próximo presidente do Fed. Sua gestão deixou um legado de resiliência institucional e pragmatismo, mesmo diante de pressões políticas sem precedentes. Para muitos, ele representa um modelo de liderança técnica em tempos de incerteza.