O boom imobiliário durante a pandemia, impulsionado por taxas de juros históricas, estímulos governamentais e a popularização do trabalho remoto, levou a um aumento sem precedentes na demanda por imóveis nos Estados Unidos. Segundo pesquisadores do Federal Reserve, seria necessário um aumento de 300% na construção de novas moradias para absorver a demanda gerada nesse período.

A oferta de imóveis, no entanto, não acompanhou o ritmo. Com a escassez de estoque disponível, os preços dispararam: em junho de 2022, os valores médios nos EUA estavam 43,2% acima dos níveis de março de 2020. Em algumas regiões, o crescimento foi ainda mais acentuado, como em Naples, Flórida (+73%), Austin, Texas (+73%), e Punta Gorda, Flórida (+71%).

O cenário mudou drasticamente em 2022, quando as taxas de hipoteca subiram rapidamente, encerrando o ciclo de valorização acelerada. Desde junho daquele ano, o mercado imobiliário nacional passou por um processo de recalibração. Até março de 2026, os preços nos EUA haviam subido apenas 2,2% acima dos níveis de junho de 2022, enquanto os salários semanais dos trabalhadores cresceram 14,7% no mesmo período.

Correção de preços em 15 mercados

Embora o mercado nacional esteja se ajustando, algumas regiões enfrentaram quedas mais profundas. Uma análise da ResiClub, com base no Zillow Home Value Index, identificou 15 mercados entre as 300 maiores áreas metropolitanas do país onde os preços das casas estão, na primavera de 2026, pelo menos 10% abaixo dos picos registrados em 2022. Confira a lista:

  • Austin-Round Rock-Georgetown, TX → -27,8%
  • Punta Gorda, FL → -25,4%
  • Cape Coral-Fort Myers, FL → -18,9%
  • North Port-Sarasota-Bradenton, FL → -17,5%
  • Nova Orleans-Metairie, LA → -13,8%
  • Houma-Thibodaux, LA → -13,2%
  • Boulder, CO → -11,8%
  • Phoenix-Mesa-Chandler, AZ → -11,6%
  • Naples-Marco Island, FL → -11,5%
  • Lake Charles, LA → -11,4%
  • San Antonio-New Braunfels, TX → -11,2%
  • São Francisco-Oakland-Berkeley, CA → -11,0%
  • Denver-Aurora-Lakewood, CO → -10,6%
  • Dallas-Fort Worth-Arlington, TX → -10,1%
  • Boise City, ID → -10,1%

Vale ressaltar que nem todos os mercados em queda continuam registrando quedas nos preços. Em Nova Orleans, por exemplo, os valores já apresentam alta de 2,1% em relação ao ano anterior. Além disso, algumas áreas de São Francisco mostram sinais de recuperação na primavera de 2026.

Por que esses mercados estão em queda?

Grande parte dos mercados com as maiores desvalorizações está localizada no Sul e no Oeste dos EUA, regiões que abrigaram muitos dos chamados boomtowns durante a pandemia. Essas áreas experimentaram um crescimento explosivo nos preços dos imóveis, muitas vezes acima dos níveis de renda local.

Com o fim dos estímulos federais e a alta das taxas de hipoteca, a demanda por imóveis nessas regiões diminuiu. Cidades como Punta Gorda (Flórida) e Austin (Texas), que haviam se tornado símbolos do boom imobiliário pandêmico, passaram a enfrentar dificuldades para sustentar preços inflados sem o influxo de compradores externos.

A oferta crescente de novas construções no Cinturão do Sol (Sunbelt) também contribuiu para a queda nos preços. Construtoras, buscando manter as vendas, passaram a oferecer descontos e condições mais atrativas, pressionando ainda mais os valores no mercado imobiliário.