A primeira quinzena de maio está delineando o futuro da segurança no Indo-Pacífico, com ações que sinalizam uma competição de longo prazo entre Estados Unidos, China e seus aliados em áreas como inteligência artificial, semicondutores, cibersegurança e cadeias de suprimentos.
Exercícios militares e provocações regionais
Nos últimos 14 dias, os EUA e o Japão realizaram exercícios militares conjuntos nas Filipinas, incluindo o lançamento de um míssil Tomahawk com um lançador Typhon e mísseis antinavio Type 88 — uma estreia que, segundo Pequim, representa uma provocação.
Paralelamente, o Japão firmou um acordo de cooperação de defesa com a Indonésia, logo após flexibilizar suas restrições à exportação de armas. Enquanto isso, Taiwan aprovou um fundo de US$ 25 bilhões para aquisição de armamentos, rompendo um impasse político e atendendo a pressões de Washington para acelerar vendas e entregas de equipamentos militares.
Visita de Trump à China: o que esperar
O presidente Donald Trump viajou à China para se encontrar com Xi Jinping, com discussões previstas sobre inteligência artificial, armas nucleares, agricultura e estabilidade econômica. No entanto, a agenda esconde tensões: autoridades chinesas criticaram as atividades militares recentes na região, classificando a rearmamentação gradual do Japão como uma "ameaça à paz e à ordem".
Mudanças na estratégia militar dos EUA
O governo Trump está redirecionando forças do Indo-Pacífico para o Hemisfério Ocidental e o Oriente Médio, pelo menos temporariamente, além de distanciar-se de aliados tradicionais. Christine Wormuth, presidente da Nuclear Threat Initiative e ex-secretária do Exército dos EUA, afirmou que a relação Washington-Pequim é "a mais importante do mundo", com impactos diretos em segurança nuclear, biotecnologia e comércio.
"Se essa relação vai bem ou mal afeta profundamente os americanos", declarou Wormuth à Axios. "O que vou observar com atenção é o que os dois líderes dirão — ou não dirão — sobre Taiwan. Até mudanças sutis na linguagem serão analisadas minuciosamente."
Embora a maioria dos analistas não acredite que Trump altere oficialmente a posição dos EUA sobre Taiwan, Xi Jinping pode buscar concessões em negociações privadas.
Negócios e competição econômica
Executivos de empresas americanas, como Jensen Huang (Nvidia), Kelly Ortberg (Boeing) e Larry Culp (GE Aerospace), acompanharão Trump na viagem. Grant Rumley, ex-funcionário do Pentágono, avalia que o objetivo é buscar uma "détente econômica" com a China.
O especialista destaca que a proibição de minerais críticos redefiniu a competição entre os países, transformando-a de um "boxe" em uma "maratona". Enquanto isso, relatórios indicam que os EUA estão atrás da China e da Rússia em desenvolvimento de armas hipersônicas.
Outros destaques da semana
- Autoridades nucleares dos EUA alertam para testes chineses de armas nucleares "não pequenos".
- Senadores americanos questionam o uso de IA chinesa em uma carta ao congressista Hegseth.
- Relatório aponta que EUA ficam para trás em armas hipersônicas frente a China e Rússia.