Trump hesita em vender armas para Taiwan após diálogo com Xi Jinping

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira (13) que não tem certeza se aprovará um pacote de armas no valor de US$ 14 bilhões para Taiwan, após discutir o tema em "grande detalhe" com o presidente chinês, Xi Jinping.

Advertência de Xi e postura cautelosa de Trump

Xi Jinping havia alertado Trump sobre o risco de "conflitos" envolvendo Taiwan no início da viagem. O presidente americano, por sua vez, deixou claro que não deseja provocar uma escalada militar. "A última coisa de que precisamos agora é uma guerra a 9,5 mil milhas de distância", declarou Trump a repórteres durante o voo de volta a Washington.

O pacote em questão, que inclui mísseis e interceptadores de defesa aérea, está bloqueado há meses pela administração Trump. Enquanto isso, congressistas norte-americanos favoráveis a uma postura mais firme contra a China defendem o fortalecimento do apoio militar a Taiwan. No entanto, alguns analistas argumentam que tais medidas poderiam aumentar as chances de Pequim usar a força.

Política de 1982 e promessas ignoradas

Trump reconheceu que os EUA haviam se comprometido, em 1982, a não consultar a China sobre vendas de armas para Taiwan, mas pareceu descartar esse acordo como obsoleto. "O que devo fazer? Dizer que não quero falar sobre isso porque tenho um acordo escrito em 1982? Não. Nós discutimos vendas de armas", afirmou. "Tomarei minhas próprias decisões", completou, reforçando que sua prioridade é evitar um conflito.

Reações de aliados e governo de Taiwan

As declarações de Trump geraram apreensão em Taipei, bem como entre aliados como o Japão e a Coreia do Sul. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, que mantém uma postura mais rígida em relação a Taiwan, foi informada pessoalmente por Trump sobre os detalhes de suas conversas com Xi durante um telefonema a bordo do Air Force One.

Além disso, Trump mencionou que precisaria conversar com "a pessoa que está governando Taiwan" sobre o tema — uma referência ao presidente taiwanês, Lai Ching-te. Tal abordagem, se concretizada, poderia irritar Pequim, que considera Taiwan parte de seu território.

Financiamento e tensões políticas

O pacote de armas para Taiwan enfrentou atrasos no Congresso, que só aprovou o financiamento de US$ 25 bilhões no início deste mês. Anteriormente, Trump havia liberado US$ 11 bilhões em dezembro do ano passado, decisão que, segundo relatos, levou Xi a adverti-lo em fevereiro contra novas remessas de armamentos para a ilha.

Havia receio de que Trump pudesse alterar a política oficial dos EUA em relação a Taiwan, possivelmente se opondo abertamente à independência taiwanesa. No entanto, o secretário de Estado, Marco Rubio, esclareceu que a política americana permaneceu inalterada. Trump, por sua vez, sugeriu que Taiwan é uma prioridade maior para Xi do que para ele próprio.

"A postura hesitante de Trump pode sinalizar uma mudança na estratégia dos EUA em relação a Taiwan, mas também expõe a fragilidade do apoio americano em um momento crítico para a ilha", afirmou um especialista em relações sino-americanas.

Fonte: Axios