A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) emitiu um alerta sobre a provável formação do fenômeno El Niño ainda em 2024. Segundo o Climate Prediction Center da instituição, há 82% de probabilidade de o evento climático começar entre junho e julho, com 96% de chances de se estender até fevereiro de 2027.
O relatório, divulgado na última quinta-feira (9), destaca que, embora ainda haja incerteza sobre a intensidade máxima do El Niño nesta temporada de furacões, as condições atuais indicam a possibilidade de eventos muito fortes ainda neste verão. Historicamente, os El Niños mais intensos são caracterizados por um forte acoplamento oceano-atmosfera durante o verão.
Além disso, a NOAA já projeta que 2026 pode figurar entre os anos mais quentes já registrados. O mês de abril de 2024 foi o quarto mais quente desde 1850, quando começaram as medições globais.
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático complexo que consiste no aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico. Normalmente, os ventos alísios sopram do leste para o oeste, mas durante o El Niño, esses ventos enfraquecem ou até invertem a direção, desestabilizando o clima global.
Segundo a U.S. Geological Survey (USGS), essa mudança faz com que a água quente do Pacífico se desloque da América do Sul em direção à Ásia, sendo substituída por água fria que sobe das profundezas — um processo conhecido como ressurgência.
Impactos globais do El Niño
Os efeitos do El Niño podem ser devastadores e incluem:
- Tempestades intensas e inundações, especialmente no sudeste dos EUA e na costa do Golfo;
- Secas prolongadas e incêndios florestais, como ocorreu durante o Super El Niño de 2015, que causou uma seca severa no Caribe;
- Alterações nos padrões de chuva em diversas regiões do mundo, afetando agricultura e ecossistemas;
- Elevação das temperaturas globais, contribuindo para ondas de calor mais frequentes.
O fenômeno costuma durar entre nove e doze meses e ocorre, em média, a cada dois a sete anos. Seu nome, que significa "menino" em espanhol, foi cunhado por pescadores sul-americanos que observaram águas anormalmente quentes no Pacífico ainda no século XVII, conforme registros da NOAA.
"Os dados indicam que o El Niño pode se tornar um dos mais intensos já registrados, com potencial para alterar significativamente o clima global nos próximos anos." — NOAA, Climate Prediction Center