Dados recentes do Bureau of Labor Statistics revelam que a inflação nos Estados Unidos está se agravando, e não dando sinais de melhora em 2026. Os novos números de preços atacadistas, divulgados após o relatório de inflação ao consumidor da terça-feira, reforçam essa tendência.

Por que isso importa: A pressão inflacionária não se limita ao aumento nos preços de energia, decorrente de conflitos geopolíticos, como a guerra no Irã. Os dados indicam que a alta de preços está disseminada em diversos setores de bens e serviços, tornando mais difícil atribuir o fenômeno apenas a efeitos temporários, como tarifas ou bloqueios comerciais.

Esse cenário reduz significativamente as chances de cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve ainda este ano, a menos que haja uma reversão abrupta na tendência inflacionária ou no mercado de trabalho.

Principais indicadores

  • Índice de Preços ao Produtor (PPI) para demanda final: subiu 1,4% em abril e acumula alta de 6% nos últimos 12 meses.
  • PPI sem alimentos, energia e serviços comerciais: registrou alta de 4,4% em 12 meses, o maior desde 2023.
  • Preços de serviços: tiveram aumento significativo, impulsionado pela alta de 5% nos custos de transporte e armazenagem, reflexo do encarecimento dos combustíveis.

O que dizem os especialistas

"O relatório de quarta-feira indica que, embora o aumento nos preços recebidos pelos produtores seja puxado principalmente pela energia, também há uma disseminação mais ampla em outros componentes centrais da cesta inflacionária."
— Richard de Chazal, analista da William Blair

Contexto político e econômico

Com a chegada de Kevin Warsh à presidência do Fed, o cenário econômico não favorece o desejo do presidente Donald Trump por cortes de juros. Membros do comitê já sinalizam que a próxima medida poderia ser um aumento na taxa de juros.

"Acredito que será importante manter a política monetária levemente restritiva por mais algum tempo."
— Susan Collins, presidente do Fed de Boston

Collins acrescentou: "Mais de cinco anos de inflação acima da meta reduziram minha tolerância a choques de oferta. Embora não seja meu cenário mais provável, consigo vislumbrar uma situação em que um aperto adicional na política monetária seja necessário para garantir que a inflação retorne de forma duradoura à meta de 2%."

Perspectivas para o mercado

Ferramentas como o CME FedWatch, que monitora os preços de futuros, agora indicam 34% de probabilidade de que a taxa de juros do Fed termine o ano mais alta do que está atualmente — um salto em relação aos 16% registrados há uma semana.

Conclusão

"Para um novo presidente do Fed, que busca reduzir as taxas de juros, esses dados representam um obstáculo crescente ao seu objetivo."
— Richard de Chazal, analista da William Blair

Fonte: Axios