Finanças modernas estão se transformando em cassinos digitais, diz CEO da River
O atual sistema financeiro está se afastando de sua função original de poupança e segurança, migrando para um modelo de apostas e alto risco, segundo Alex Leishman, CEO da River e palestrante no Bitcoin 2026. Em sua apresentação intitulada “Não estamos consertando o dinheiro para construir mais cassinos”, ele alertou que a busca por liberdade financeira está empurrando as pessoas para opções cada vez mais arriscadas.
Leishman destacou que o sonho americano está cada vez mais distante para muitos, com o aumento dos custos de moradia, dívidas estudantis persistentes e salários estagnados. Nesse contexto, ele argumenta que a pressão econômica leva ao crescimento de mercados de previsão e recursos de apostas em aplicativos financeiros tradicionais. O que antes era visto como uma ferramenta de investimento seguro agora é substituído por apostas de alto risco, apresentadas como a única forma de alcançar prosperidade financeira.
A fusão entre finanças e entretenimento
O executivo descreveu como finanças e entretenimento estão se fundindo nas telas dos smartphones. Plataformas que antes focavam em poupança e investimentos agora promovem negociações constantes e apostas em resultados, criando um ambiente em que a segurança financeira parece inatingível. Segundo ele, essa mudança reflete uma crença crescente de que "as pessoas estão chegando à conclusão de que precisam apostar para progredir".
Leishman lembrou que, antigamente, um banco era um lugar para guardar dinheiro com segurança, enquanto apostas eram atividades separadas, regidas por normas distintas. Hoje, porém, instituições financeiras incorporam apostas esportivas e mercados de previsão em seus aplicativos, confundindo os usuários que buscam apenas poupar ou investir.
Apostas digitais: um problema social crescente
O CEO da River também destacou os riscos sociais das apostas online, citando estudos que mostram uma correlação entre jogos de azar e níveis mais altos de endividamento e falência pessoal. Ele afirmou que "apostas não são boas para a sociedade" e que a facilidade de acesso — com apenas alguns cliques em um aplicativo — deveria ser uma preocupação para formuladores de políticas e líderes do setor.
Antes, era necessário ir até um cassino para apostar. Agora, qualquer pessoa com um smartphone pode fazer apostas a qualquer momento, seja no sofá ou na fila do caixa. Notificações e promoções são projetadas para manter os usuários engajados, muitas vezes levando a perdas financeiras.
Fintechs e cripto: a falta de transparência
Leishman criticou partes do setor de cripto e fintechs por não serem transparentes sobre o modelo de negócios por trás de seus produtos. Segundo ele, muitos serviços vendidos como ferramentas de liberdade financeira dependem, na verdade, de perdas dos usuários e da rotatividade de negociações. "A indústria não deveria mentir sobre o que está construindo", afirmou.
Ele descreveu dois futuros possíveis: um em que os bancos tradicionais continuam enriquecendo com depósitos de clientes, oferecendo pouco retorno ou transparência, e outro em que fintechs apostam cada vez mais em mercados de previsão e apostas esportivas como principais fontes de receita. Em ambos os cenários, segundo ele, os clientes comuns são os grandes perdedores: ou veem suas economias se esvaziarem em contas de baixo rendimento ou são atraídos para apostas arriscadas sob a promessa de ganhos rápidos.
"O sistema financeiro atual não está consertando o dinheiro; está construindo cassinos. Precisamos repensar como o dinheiro é gerenciado para que as pessoas possam realmente construir riqueza de forma segura e sustentável."