O governo do ex-presidente Donald Trump está acelerando a deportação de crianças imigrantes nos Estados Unidos, dificultando o acesso delas a recursos legais e à permanência no país. Segundo informações da CNN, audiências judiciais para menores estão sendo antecipadas em semanas ou até meses, gerando pressão extrema sobre os jovens e seus defensores.
Muitos desses casos envolvem crianças não acompanhadas ou aquelas cujos pais foram detidos por questões migratórias. Crianças com apenas 4 anos de idade são obrigadas a comparecer a audiências frequentes e fornecer atualizações sobre seus processos, muitas vezes sem assistência jurídica. Emily Norman, diretora regional da Kids in Need of Defense na Costa Leste, relatou à CNN que a pressão é tão grande que algumas crianças chegam a fazer xixi nas calças durante as sessões judiciais.
Norman também destacou que uma audiência originalmente marcada para 2027 foi antecipada para daqui a uma semana, demonstrando a rapidez com que os prazos estão sendo reduzidos. Além disso, o governo Trump tem dificultado cada vez mais a permanência de crianças imigrantes nos EUA, impondo exigências mais rígidas aos responsáveis legais e até mesmo arriscando a prisão deles.
Outra via para garantir a liberação das crianças é a obtenção do Status de Imigrante Juvenil Especial (SIJ), um processo legal que pode levar meses e, se aprovado, concede a elas um caminho para obter o green card. No entanto, os prazos apertados tornam quase impossível concluir essa documentação a tempo. Steven Wright, professor clínico do Immigrant Justice Center da Universidade de Wisconsin-Madison, afirmou à CNN:
"Para impedir que o governo deporte as crianças, preciso ter esse documento do SIJ. E eles estabeleceram um prazo que torna extremamente difícil consegui-lo a tempo."
Enquanto aguardam a resolução de seus casos, as crianças permanecem sob custódia da Oficina de Reassentamento de Refugiados (ORR), onde podem enfrentar maus-tratos ou abusos em abrigos governamentais ou lares temporários. Advogados temem que a aceleração dos processos não reduza os riscos, mas sim aumente a possibilidade de as crianças serem devolvidas a situações de perigo em seus países de origem.
Dados oficiais mostram que, até o final de março, havia 2.173 crianças sob custódia da ORR, com uma média de permanência superior a seis meses. Andrew Nixon, porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, declarou à CNN:
"Estamos focados em resolver os casos de crianças não acompanhadas de forma rápida e eficiente, dentro da lei. Muitas dessas crianças estão em risco de tráfico e exploração, e, em alguns casos, foram trazidas para a fronteira por cartéis em condições perigosas e coercitivas. Acelerar os processos ajuda a desmantelar essas redes e garante que as crianças sejam devolvidas a ambientes seguros o mais rápido possível. Reduzir o tempo de custódia também diminui os custos para os contribuintes e assegura que o sistema funcione como pretendido."