O apresentador Sean Hannity, figura central da mídia conservadora nos Estados Unidos, demonstrou frustração durante uma entrevista ao vivo com o ex-presidente Donald Trump, transmitida na noite de quinta-feira (15). A conversa, marcada por evasivas do ex-mandatário, destacou a dificuldade de obter respostas diretas sobre o conflito no Irã e o programa nuclear iraniano.
Hannity questionou Trump sobre a capacidade da China de influenciar o Irã, dado que Pequim é um dos principais compradores de petróleo iraniano. "Você acha que o presidente Xi e a China têm capacidade de influenciar os iranianos, considerando que são um de seus maiores clientes?", indagou o jornalista. Trump respondeu de forma vaga: "Provavelmente sim, mas... olha, ele não está entrando com armas, eles não estão vindo atirando".
Hannity tentou insistir, mas Trump desviou o assunto para a possibilidade de vendas de petróleo dos EUA ao Irã. "Eles obtêm 40% de seu petróleo dessa região. Então, o que aconteceu, e uma coisa que acho que vamos fechar um acordo, é que eles concordaram em comprar petróleo dos Estados Unidos", afirmou o ex-presidente.
Falta de clareza sobre o programa nuclear iraniano
Em outro trecho da entrevista, Trump sugeriu que não obteria uma resposta clara de Xi Jinping sobre o programa nuclear iraniano. "Acho que a China também não quer que o Irã tenha uma arma nuclear", declarou. "Eu disse: 'Eles são loucos de pedra. Você não precisa que eles tenham uma arma nuclear'."
Quando questionado sobre a reação de Xi, Trump respondeu: "Bem, ele não vai responder muito. Ele é um cara muito legal. Não vai dizer: 'Ah, esse é um bom ponto'" — uma resposta que não confirmava se o líder chinês concordava com a posição americana.
Pressão dos EUA sobre o Irã e ações militares
Trump afirmou que intensificará a pressão sobre o Irã até que o país ceda à principal demanda americana: o fim de seu programa nuclear. No entanto, a eficácia das ações recentes permanece incerta. Em junho do ano passado, os EUA bombardearam três instalações nucleares iranianas — Fordo, Natanz e Isfahan — alegando que o ataque atrasou o programa em "anos".
Críticos, como o ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, Joe Kent, contestam a justificativa da guerra. Em carta de renúncia publicada em março, Kent afirmou que "o Irã não representava uma ameaça iminente aos EUA" e sugeriu que o conflito teria sido iniciado sob pressão de Israel e de seu lobby nos EUA.
Desde o início da guerra, há 11 semanas, os EUA e Israel já teriam causado milhares de mortes entre combatentes iranianos e civis, segundo relatos não confirmados. A situação humanitária e a estabilidade regional continuam sob forte tensão.