A onipresença de câmeras com inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos já é uma realidade, embora muitos ainda não tenham percebido sua extensão. Sistemas de reconhecimento facial, leitores automáticos de placas, óculos inteligentes, centros de fusão policial, drones de vigilância e bancos de dados biométricos estão se infiltrando no cotidiano americano, formando uma rede de vigilância cada vez mais difícil de escapar.

O que pode parecer um conjunto de ferramentas isoladas, na verdade, compõe um panóptico digital descentralizado. Segundo a revista The Nation, desde câmeras de segurança domésticas como as da Ring até sistemas de prevenção de perdas em lojas como a Target, todos esses dispositivos coletam dados e os encaminham para bases centralizadas, muitas vezes sem o conhecimento ou consentimento dos cidadãos.

As leis de privacidade e regulamentações sobre vigilância por IA são praticamente inexistentes nos EUA. Em mais de uma dúzia de estados, tribunais já autorizam a polícia a acessar redes de leitores automáticos de placas, como a da Flock Safety, sem necessidade de mandado judicial. Agências federais há anos monitoram dispositivos digitais sem autorização prévia, enquanto departamentos policiais locais utilizam drones — muitas vezes com tecnologia militar — para vigiar manifestantes pacíficos.

Apesar da escalada da vigilância, a resistência cresce. Coletivos de ativistas, organizações de direitos digitais e cidadãos comuns estão se mobilizando para combater esses sistemas. A Flock Safety, por exemplo, enfrenta pressão de grupos que mapeiam suas câmeras por meio do site DeFlock.org e alertam o público sobre buscas realizadas na plataforma, disponíveis em HaveIBeenFlocked.com.

A Fulu Foundation, organização sem fins lucrativos que defende direitos do consumidor, oferece uma recompensa de US$ 24 mil a hackers que consigam desativar a conexão constante das campainhas inteligentes Ring com a Amazon — e, consequentemente, com agências policiais que colaboram com a empresa.

Embora o poder econômico por trás dessas tecnologias seja imenso, a história recente mostra que nenhum sistema é invencível. Trabalhadores têm forçado empresas a negociar, centros de dados foram barrados por pressão popular e agentes de imigração foram expulsos de comunidades. Quando a sociedade se une, até mesmo os maiores desafios podem ser superados.

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Fonte: Futurism