Fed mantém juros estáveis, mas enfrenta resistência interna
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve sua taxa de juros de referência estável entre 3,5% e 3,75% pela terceira vez consecutiva em 2026. A decisão, anunciada em sua última reunião sob o comando de Jerome Powell, surpreendeu pelo número recorde de dissidências internas em 34 anos.
Dissidências revelam divisão sobre cortes de juros
Três presidentes de bancos regionais do Fed — Beth Hammack (Cleveland), Neel Kashkari (Minneapolis) e Lorie Logan (Dallas) — discordaram não da decisão de manter os juros, mas da inclusão de uma linguagem que sugeria futuros cortes na declaração oficial. O governador Stephen Miran, por outro lado, defendeu um corte imediato nos juros.
As quatro dissidências registradas foram as maiores desde outubro de 1992, refletindo uma divisão crescente entre os membros do comitê sobre a trajetória da política monetária.
Resistência a cortes de juros em meio à inflação elevada
Há meses, alguns membros do Fed, especialmente nos bancos regionais, resistem a sinalizar cortes de juros, mesmo com a inflação acima da meta há cinco anos consecutivos. A tensão explodiu publicamente na última reunião de Powell, que deixará o cargo em 15 de maio.
A nomeação de Kevin Warsh para substituí-lo avançou no Senado nesta semana, com expectativa de confirmação antes da próxima reunião do Fed, em meados de junho. Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump, enfrenta um ambiente interno dividido.
Linguagem do Fed gera controvérsia
Os dissidentes criticaram a manutenção de uma frase na declaração do Fed que menciona a possibilidade de "ajustes adicionais" nas taxas de juros. Para eles, essa linguagem implica futuros cortes, o que não desejam, dado o cenário de inflação elevada e crescimento econômico sólido. Alguns temem até a possibilidade de um aumento nos juros.
"A frase 'ajustes adicionais' sugere continuidade nos cortes de juros, mas os membros mais hawkish não querem descartar a possibilidade de um aumento, mesmo com a inflação ainda alta."
Futuro de Powell no Fed permanece incerto
Após deixar a presidência, Powell pode permanecer no Conselho de Governadores do Fed, cujo mandato vai até 2028. Sua decisão deve ser esclarecida em coletiva de imprensa às 15h30 (horário de Brasília).
Legado de Powell e desafios para Warsh
Powell, que liderou o Fed por oito anos, conseguiu manter a coesão do comitê em meio a intensos debates. No entanto, Warsh herdará um banco central com divisões profundas, especialmente sobre a direção da política monetária nos próximos meses.
O cenário atual reforça a incerteza sobre a trajetória dos juros nos EUA, com impactos globais, enquanto o Fed tenta equilibrar crescimento, inflação e pressões políticas.