A 79ª edição do Festival de Cannes está em andamento na França, e a atriz Demi Moore, integrante do júri, já abordou um dos temas mais complexos do cinema moderno: a inteligência artificial.

“A realidade é que resistir só gera mais resistência. A IA está aqui, e lutar contra ela é, em certo sentido, lutar contra algo que já perdemos”, declarou Moore durante coletiva de imprensa na terça-feira. “Por isso, encontrar formas de trabalhar com ela é o caminho mais valioso.”

Ao ser questionada se estamos fazendo o suficiente para nos proteger, a atriz respondeu: “Não sei. Não tenho a resposta. Minha inclinação é dizer que provavelmente não.”

Moore também refletiu sobre o papel da arte na sociedade: “A arte é expressão. Se começarmos a nos censurar, sufocamos a essência da criatividade, que é onde descobrimos verdades e respostas.”

A atriz, indicada ao Oscar, participou do painel de estreia no Palais des Festivals ao lado de outros jurados: Laura Wandel, Chloé Zhao, Ruth Negga e o presidente do júri, Park Chan-wook. O diretor sul-coreano também comentou sobre a relação entre política e cinema, após polêmicas recentes em Berlim.

“Uma obra de arte com mensagem política não deve ser considerada inimiga da arte. Da mesma forma, um filme sem posicionamento político não deve ser ignorado”, afirmou Park, por meio de tradução. “Mesmo uma grande declaração política, se não for expressa artisticamente, vira propaganda. Arte e política não são conceitos opostos, desde que sejam bem articulados.”

A edição 2026 do Festival de Cannes ocorrerá de 12 a 23 de maio, com estreia marcada para terça-feira com o filme The Electric Kiss (La Vénus électrique), de Pierre Salvadori, além da entrega do Prêmio Honorário Palmes d’Or a Peter Jackson.

Fonte: The Wrap