Denúncias revelam viés industrial e falta de transparência no Greenhouse Gas Protocol

Um novo relatório de denúncias acusa o Greenhouse Gas Protocol, organização responsável por definir padrões de medição de emissões de gases de efeito estufa para milhares de empresas em todo o mundo, de ser secreta e tendenciosa em favor da indústria. Segundo o documento, obtido pela jornalista Emily Pontecorvo, da Heatmap, os problemas no órgão são sistêmicos e a entidade estaria se afastando cada vez mais de seu compromisso com a responsabilidade e transparência.

O relatório foi produzido por Danny Cullenward, economista e advogado especializado em integridade científica em políticas climáticas da Universidade da Pensilvânia. Cullenward, que integra o Independent Standards Board do Protocolo, não pôde detalhar informações internas devido a um acordo de confidencialidade restritivo. Por isso, baseou-se em dados públicos para fundamentar suas críticas.

Em seu texto, Cullenward destacou que a comunidade científica não tem voz ativa na diretoria, o que, segundo ele, politiza o trabalho dos membros do conselho. Ele afirmou:

"Não apenas a comunidade sem fins lucrativos não tem voz no conselho, mas a ausência dessas vozes risca politizar o trabalho dos membros científicos."

Emily Pontecorvo, autora do artigo, complementou:

"Embora a hierarquia oficial de tomada de decisão do Protocolo priorize a integridade científica, na prática, os cientistas são obrigados a defender a ciência perante o setor empresarial."

O relatório surge após anos de esforços para fortalecer a credibilidade científica do órgão. Críticos há muito tempo apontam que o Protocolo permite que empresas apresentem uma imagem mais favorável em seus relatórios do que realmente refletem suas emissões reais. No entanto, criar padrões que sejam ao mesmo tempo cientificamente robustos e viáveis para implementação é um desafio complexo.

Justiça federal derruba estratégia de Trump para bloquear energia renovável

A estratégia do governo Trump de atrasar permissões para projetos de energia eólica e solar sofreu um novo revés na Justiça. Na terça-feira (12), a juíza federal Denise Casper, do Distrito de Massachusetts, determinou o fim dos atrasos em processos de licenciamento de energia renovável. A decisão representa uma vitória para grupos comerciais regionais, que haviam argumentado que a administração Trump violava o Administrative Procedures Act ao reter as aprovações.

Segundo Jael Holzman, da Heatmap, a decisão pode ser um golpe fatal nas principais táticas usadas pela administração para bloquear permissões federais de energia renovável.

GE Vernova avança com projeto de reator modular pequeno no Canadá

A GE Vernova Hitachi Nuclear Energy está na liderança da corrida para construir o primeiro reator modular pequeno (SMR) da América do Norte. O projeto, que utiliza o reator BWRX-300 de 300 megawatts, já está em andamento na Ontario Power Generation’s Darlington plant, no Canadá.

Roger Martella, chefe de assuntos governamentais e políticas da GE Vernova, afirmou que a obra está 38% concluída e deve entrar em operação até 2030, gerando eletricidade. O reator, desenvolvido em parceria com empresas americanas e japonesas, é considerado uma solução inovadora para a geração de energia nuclear de baixo carbono.