A Nova Zelândia enfrenta diversos riscos naturais, desde terremotos até inundações e erupções vulcânicas. No entanto, um novo estudo da Natural Hazards Commission – Toka Tū Ake (NHC) aponta que os deslizamentos de terra se tornaram o desastre natural mais oneroso para o país.
Localizada em uma região sísmica ativa, a nação já convivia com perdas significativas causadas por terremotos e outros fenômenos. Em 1945, o governo criou a Earthquake Commission (EQC) para cobrir danos sísmicos, expandindo posteriormente sua atuação para outros desastres naturais. Hoje, a NHC atua como um fundo de proteção, financiado por taxas adicionais em apólices de seguro residenciais.
Quando ocorre um sinistro, o fundo cobre os custos de reconstrução até um limite de NZ$ 300 mil. O restante é responsabilidade do seguro privado do proprietário. Além de indenizar, a NHC gerencia reivindicações e estuda os riscos naturais do país.
Dados alarmantes sobre deslizamentos
Nos últimos dias, a mídia neozelandesa destacou novos números da NHC: desde 2021, foram registradas 13 mil reivindicações por deslizamentos, com pagamentos totais de NZ$ 322 milhões (US$ 191 milhões). O aumento dos prejuízos está diretamente ligado ao crescimento de chuvas intensas e eventos climáticos extremos.
A NHC alerta proprietários para a importância de manutenção preventiva e da conscientização sobre as limitações da cobertura da EQC.
Desafios na prevenção de deslizamentos
O território neozelandês é marcado por terrenos propensos a deslizamentos, muitos deles latentes que são reativados pelas chuvas. No entanto, mapear esses riscos com precisão ainda é um grande desafio. A pesquisa sobre deslizamentos precisa avançar em áreas como:
- Identificação de eventos desencadeadores (chuvas e terremotos);
- Processos de instabilidade em encostas;
- Mobilidade de detritos;
- Vulnerabilidade e perdas associadas.
A falta de investimento de longo prazo em estudos sobre deslizamentos coloca o tema atrás de pesquisas sobre terremotos e inundações. Em muitos países, inclusive, os deslizamentos não são cobertos por seguros justamente por essa lacuna.
"Os deslizamentos são um risco subestimado, mas com impactos crescentes. Precisamos urgentemente de mais pesquisas para entender e mitigar esses eventos."
A NHC reforça que a prevenção e o planejamento urbano são essenciais para reduzir os danos causados por deslizamentos na Nova Zelândia.